Economia

Democratas e republicanos usam Payroll em campanha

Da Redação ·
O informe sobre o nível de emprego em outubro encorajou o Partido Democrata dos EUA, que aproveitou o crescimento das contratações como sinal de recuperação econômica, a poucos dias da eleição norte-americana. O Partido Republicano, por sua vez, apontou para o nível ainda alto de desemprego como um argumento para que os eleitores substituam o presidente Barack Obama por seu candidato, Mitt Romney. Em 7,9%, a taxa de desemprego está um décimo de ponto porcentual mais alta do que em janeiro de 2009, quando Obama assumiu a Casa Branca. A taxa de desemprego atual é a mais alta imediatamente antes de qualquer eleição presidencial, pelo menos desde os anos 1940. Culminando uma semana em que o noticiário foi dominado pela cobertura do furacão Sandy e a destruição que ele causou, a divulgação dos dados do nível de emprego deu aos políticos dos dois partidos motivo para que voltassem a duelar sobre as condições da economia. "A elevação da taxa de desemprego é um lembrete triste de que a economia está virtualmente paralisada. Por quatro anos, o presidente Obama nos disse que as coisas estavam melhorando e que estávamos fazendo progressos. Para um número demasiado grande de famílias americanas, essas palavras são vazias", disse Romney em comunicado antes de participar de eventos de campanha em Wisconsin e em Ohio. Obama, discursando em um comício na primeira de várias paradas nesta sexta-feira no campo de batalha de Ohio, cujo resultado das eleições é incerto, enfatizou o progresso feito pelos EUA ao sair da pior recessão desde a Grande Depressão dos anos 1930. "Hoje, nossas empresas criaram quase cinco milhões e meio de empregos, e nesta manhã nós fomos informados de que as empresas contrataram mais trabalhadores em outubro do que em qualquer dos últimos oito meses", disse o presidente. Segundo o Departamento do Trabalho, foram criados 171 mil empregos em outubro, mais do que os economistas previam. A taxa de desemprego subiu a 7,9%, de 7,8% em setembro, porque aumentou o número de pessoas á procura de emprego. O governo também revisou para cima o número de postos de trabalho criados nos meses anteriores. A menos de uma semana da eleição, marcada para a próxima terça-feira, muitos eleitores parecem já ter decidido em quem votarão. Ainda assim, a Casa Branca usou o informe para reafirmar seu argumento de que o norte-americano médio estará melhor se Obama for reeleito. "É de importância crítica que continuemos as políticas que estão construindo uma economia que funcione para a classe média, ao cavarmos nossa saída do buraco profundo causado pela recessão severa que começou em dezembro de 2007", escreveu Alan Krueger, chefe do Conselho de Assessores Econômicos da Presidência, em seu blog, no site da Casa Branca. Membros da bancada democrata no Congresso tomaram o cuidado de reconhecer que muitas pessoas ainda estão à procura de emprego, ainda que os dados divulgados nesta sexta tenham dado espaço para uma modesta comemoração. "O informe de hoje marca o 32º mês consecutivo de crescimento do nível de emprego no setor privado", disse o senador Bob Casey, que tenta a reeleição em uma disputa acirrada na Pensilvânia. "Embora a economia esteja melhorando", afirmou Casey, é necessário "manter o foco na criação de empregos". Políticos republicanos preferiram focalizar uma medida mais ampla de desemprego, que inclui aqueles que estão à procura de trabalho e os que têm emprego em tempo parcial; esse índice caiu 0,1 ponto porcentual, para 14,6% em outubro. "Não apenas a taxa de desemprego está subindo, mas, à medida que mais americanos perdem as esperanças, a taxa 'real' de desemprego está agora em 14,6%", afirmou o deputado Jeb Hensarling, do Texas, que integra a liderança da bancada republicana na Câmara. Tanto democratas como republicanos disseram que a recuperação econômica teria sido mais forte se os congressistas do outro partido cooperassem mais para a aprovação de projetos de lei elaborados para estimular a criação de empregos. As informações são da Dow Jones.
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