Economia

Financiamento definitivo de Belo Monte sai até dezembro

Da Redação ·
A construção da hidrelétrica de Belo Monte, que obteve nos últimos dois anos quase R$ 2,9 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em dois empréstimos-ponte, terá o financiamento definitivo aprovado pela instituição financeira até o início de dezembro. O montante ficará entre R$ 21 bilhões e R$ 22 bilhões e a operação contará com a participação da Caixa Econômica Federal e do Banco BTG Pactual como garantidores de parte do empréstimo, de acordo com fonte ouvida pela Agência Estado. A maior parte do financiamento, entre R$ 13 bilhões e R$ 14 bilhões, terá risco assumido pelo próprio BNDES. A Caixa, que participou da operação do segundo empréstimo-ponte (de R$ 1,8 bilhão, aprovado em março) vai assegurar entre R$ 5,5 bilhões e R$ 6 bilhões. Uma parcela menor, entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões, será garantida pelo BTG Pactual, que participou do primeiro empréstimo-ponte (de R$ 1,087 bilhão, em 2010). Mas, todo o funding será do banco de fomento. Nesta terça-feira (23), representantes dos controladores da Norte Energia S.A. estiveram no banco para acertar detalhes do financiamento. Participam do projeto de Belo Monte a Eletrobras (15%) e as subsidiárias Chesf (15%) e Eletronorte (19,98%); os fundos de pensão Petros (10%) e Funcef (5%); o fundo de investimentos Caixa FIP Cevix (5%); Neoenergia (10%), Cemig e Light (9,77%); Vale (9%), Sinobras (1%) e J.Malucelli Energia (0,25%). A usina, que é construída no Rio Xingu, no Pará, é um dos principais projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com capacidade instalada de 11.233 megawatts (MW) de energia elétrica, sendo 4.571 MW médios ao ano. Há dois meses, as obras da usina ficaram paradas por duas semanas, por decisão do Tribunal Regional Federal (TRF), em atendimento a um pedido do Ministério Público Federal (MPF) no Pará. A paralisação deixou em suspenso a análise do financiamento pelo BNDES. A Advocacia-Geral da União alegou que a interrupção das obras poderia causar "dano irreparável ao patrimônio público". De acordo com a AGU, o empreendimento ficou prestes de se tornar inviável. Os argumentos do governo foram aceitos, ao menos provisoriamente, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que deferiu pedido de liminar para a retomada da obra. O mérito da reclamação ainda será julgado pelo STF, mas não há prazo para isso ocorrer.
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