Economia

Ex-dono do Cruzeiro do Sul é levado para cadeião de Pinheiros (SP)

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 24 de outubro (Folhapress) - O banqueiro Luis Octavio Índio da Costa, ex-dono e ex-presidente do Banco Cruzeiro do Sul, está preso no CDP (Centro de Detenção Provisória) 3 de Pinheiros, na avenida das Nações Unidas, 12.230, em São Paulo. Ele foi encaminhado para lá na tarde de ontem, um dia após sua prisão, pela Polícia Federal, por suspeita de crimes contra o sistema financeiro e crimes contra o mercado de capitais, além de lavagem de dinheiro. O pai de Luis Octavio, Luis Felipe Índio da Costa, também suspeito dos crimes, está em prisão domiciliar desde ontem, em sua residência na cidade do Rio de Janeiro na manhã. O Cruzeiro do Sul foi liquidado pelo Banco Central no mês passado com um rombo contábil de R$ 3,1 bilhões. Caso sejam indiciados e condenados, os banqueiros podem pegar entre um e 12 anos de prisão. A reportagem procurou o advogado dos banqueiros Roberto Podval para saber ele já tinha entrado com pedido de habeas corpus para Luis Octavio, mas ainda não obteve resposta. Até o momento, ainda não havia pedido feito na Justiça Federal. Fraude O inquérito foi instaurado em junho de 2012 após o Banco Central constatar fraudes contábeis e indícios de operações de crédito fictícias no Banco Cruzeiro do Sul. Segundo a PF, ao longo da investigação foram detectados outras condutas criminosas em fundos de investimento, que deixaram como vítimas dezenas de investidores. Antes da crise do Cruzeiro do Sul, o banqueiro ficou conhecido pelas festas dadas a até mil convidados em sua casa, em Cotia. Em 2009, patrocinou um show com cantor americano Tony Bennett em comemoração dos 15 anos do banco e um concerto com o britânico Elton John na Sala São Paulo. Também namorou a apresentadora Daniela Cicarelli. Antes de liquidar o Cruzeiro do Sul, o Banco Central nomeou como interventor o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), com a missão de encontrar um comprador e de negociar com os credores. O fundo chegou a propor um "perdão" de 49% para os credores, mas a operação não foi adiante pela falta de um comprador para o banco. A venda do banco foi inviabilizada por uma série de questões legais e comerciais. O negócio de crédito consignado já não atraia mais os grandes bancos, que podem fazer esses empréstimos com menor custo nas agências. O comprador teria ainda de trazer pelo menos R$ 700 milhões ao Cruzeiro do Sul. O que mais interessava era um crédito tributário que poderia chegar a R$ 1 bilhão, mas esse crédito foi calculado com base em empréstimos que são contestados. Cobertura Segundo o BC, cerca de 35% dos depósitos do banco contavam com garantia do FGC. O fundo cobre CDBs em até R$ 70 mil por CPF e até R$ 20 milhões para as aplicações que contavam com seguro especial (o DPGE). Com a liquidação, o banco deixou de funcionar operacionalmente. As unidades do Cruzeiro do Sul foram fechadas, e a maioria dos funcionários, dispensada. As ações perderam todo o valor e deixaram de ser negociadas na Bolsa de Valores. O trabalho em curso do liquidante é fazer um inventário de tudo o que pode ser vendido e convertido em dinheiro para pagar os credores. Os primeiros a receber são os funcionários.  

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