Economia

Alemanha e França sugerem ajuda para bancos da Irlanda

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 22 de outubro (Folhapress) - Os principais mandatários europeus sinalizaram no início desta semana que a Irlanda é candidata a receber ajuda da União Europeia para sanear seu setor bancário. O assunto vai ser tratado hoje entre o primeiro-ministro irlandês Enda Kenny e o presidente francês François Hollande em Paris. Ontem à noite, Kenney e a chanceler alemã Angela Merkel emitiram uma nota conjunta em que ambos reconheceram "as circunstâncias únicas" da situação irlandesa. "A Irlanda é um caso especial, o que o Eurogrupo (que reúne os ministros de Finanças da zona do euro) vai levar em conta", apontam os dois mandatários no comunicado. O presidente francês usou quase a mesma linguagem hoje durante uma conferência com jornalistas para comentar o caso irlandês. "A especificidade irlandesa é que por vários meses houve uma recapitalização dos bancos, o que piorou a dívida da Irlanda e forçou o país a impor um duro ajuste fiscal", disse Hollande, em Paris. Em julho, os ministros do Eurogrupo concordaram em socorrer a Espanha com a oferta de Ç 100 bilhões (cerca de R$ 260 bilhões) para os bancos desse país, com um período de carência de até 15 anos. A Irlanda pode ser o próximo candidato a receber uma ajuda semelhante ou conseguir uma renegociação dos termos de seu resgate financeiro. Socorro financeiro A Irlanda já foi alvo de um socorro financeiro por parte da União Europeia em 2011 (orçado em 85 bilhões de euros), sob a exigência de um duro ajuste de suas contas públicas. Mas à semelhança das outras nações europeias, o setor bancário do país continua fragilizado. Os bancos do Velho Continente estão forrados de títulos soberanos (parcelas da dívida pública emitidos pelos Tesouros nacionais) que desvalorizaram em meio à deterioração da crise europeia. Como consequência, para seguir funcionando, muitas instituições financeiras precisam de uma "recapitalização" (uma injeção de recursos), que os Estados, às voltas com severos problemas financeiros, encontram dificuldades de realizar. Fazer com que a União Europeia assuma essa responsabilidade ("recapitalizar os bancos") tem exigido das lideranças dos paíes europeus uma negociação complexa. Enquanto a França já se mostrou favorável a que UE abra o cofre para socorrer os bancos, a Alemanha -a integrante mais rica do bloco, e portanto, o maior contribuinte- costuma se mostrar bem mais reticente. O comunicado emitido neste domingo mostrou, portanto, uma razoável "boa vontade" da Alemanha em relação à Irlanda, país em que reconhecidamente o resgate financeiro bancado pela União Europeia (e pelo FMI) teve os seus melhores efeitos.  

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