Economia

Bancários fazem passeata na Paulista no 3º dia de greve

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 20 de setembro (Folhapress) - A CUT (Central Única dos Trabalhadores) promove um ato na avenida Paulista que envolve os trabalhadores bancários (em greve desde terça-feira) e outras categorias em greve. A categoria decidiu fazer uma greve por tempo indeterminado neste ano para reivindicar 10,25% (5% acima da inflação) de reajuste, entre outros pedidos. Os bancos ofereceram 6% (0,58% acima da inflação). As negociações estão interrompidas e não há previsão de retomada, segundo os trabalhadores e os bancos. A passeata, que teve início às 10h, envolve também representantes dos metalúrgicos, químicos, petroleiros e funcionários dos Correios, que também estão em greve. A ideia, de acordo com a CUT, é levar ao conhecimento da população as pautas específicas de cada campanha salarial. A partir das 16h desta quinta, os bancários de São Paulo fazem assembleia para avaliar os rumos do movimento. De acordo com os sindicatos, a greve dos bancários na capital paulista envolve trabalhadores do Centro Administrativo Brigadeiro (CAB) do Itaú, Bradesco Prime, além de diversas agências da Paulista. Nos centros velho e novo, o movimento atinge agências de várias instituições financeiras e concentrações como o edifício Patriarca (Itaú) e Complexo São João (Banco do Brasil). Na zona sul, bancários cruzam os braços nos eixos da Avenida Adolpho Pinheiro, Chácara Santo Antonio e João Dias. Na zona oeste, o movimento ganha adesão de trabalhadores das agências dos corredores da Professor Afonso Bovero, Heitor Penteado, Cerro Corá e Dr. Arnaldo. Na zona norte, bairros da Vila Nova Cachoeirinha, Horto Florestal e Casa Verde estão com agências fechadas. Na zona leste, funcionários fortalecem a greve no Jardim Anália Franco, Vila Carrão e Ermelino Matarazzo Agências fechadas De acordo com o Contraf, o número de agências bancárias fechadas já chega a 7.324 em todo o país. O número representa um terço de todas as agências bancárias e centros administrativos do país. O sindicato diz que a greve deste ano é mais forte que no ano passado, quando a categoria parou por 21 dias e conseguiu aumento real de 1,5%. Na paralisação de 2011, 4.191 agências foram fechadas no primeiro dia e 6.248 no segundo. A greve por tempo indeterminado foi aprovada nas assembleias de 137 sindicatos de todo o país, realizadas em 12 de setembro, depois de cinco rodadas duplas de negociação com a Fenaban (Federação Nacional de Bancos). Em São Paulo e região, mais de 24 mil bancários participaram da greve, segundo o sindicato local --18% dos 138 mil trabalhadores filiados. Foram afetados 720 locais de trabalho, entre agências bancárias e centros administrativos. Mais cedo, diante do silêncio da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) em relação à greve dos bancários, o presidente da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) e coordenador do comando nacional dos bancários, Carlos Cordeiro, diz que a paralisação vai se estender até a próxima semana. "A possibilidade de a greve acabar nesta semana é nenhuma", diz Cordeiro. "Mesmo que a Fenaban nos convocasse hoje para uma negociação, teríamos de chamar o comando nacional. Como eles não convocaram, a greve vai continuar até sexta-feira." O coordenador do comando da greve diz que, a cada dia que a entidade dos bancos não se pronuncia, a greve se estende. "Se amanhã eles não nos chamarem para a negociação novamente, a greve se estende para segunda e assim por diante. Imagino que essa greve vai entrar pela semana que vem com a imobilidade da Fenaban." A reportagem não conseguiu contato com a Fenaban para comentar as declarações do presidente da Contraf-CUT. Segundo Cordeiro, embora o sindicato ainda não tenha fechado o balanço da paralisação em todo o país nesta quarta-feira (19), a greve cresceu em relação a ontem e tem mobilizado mais pessoas que em 2011, quando durou 21 dias. "[2012] Aponta para uma greve longa como no ano passado. Pode durar mais de 21 dias se perdurar a posição intransigente da Fenaban." No ano passado, os bancários aceitaram reajuste de 9% (1,5% acima da inflação). A paralisação de três semanas foi a maior desde 2004. Outro lado "Estamos abertos para retomar as negociações, mas não oferecemos 6% para chegar a 10%. Queremos fechar um acordo que esteja de acordo com a realidade atual", disse Magnus Apostólico, diretor da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos). Com a paralisação, a Febraban orienta os clientes a procurar um canal alternativo para realizar os serviços durante o período de greve. Segundo a entidade, o consumidor deve ver se há a disponibilidade de fazer as operações por meio de caixas eletrônicos, internet banking, mobile banking (banco no celular), telefone e correspondentes bancários --casas lotéricas, agências dos Correios, redes de supermercados e outros estabelecimentos comerciais credenciados.  

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