Economia

Petrobras diz que só fará refinaria a custo internacional

Da Redação ·

Por Pedro Soares RIO DE JANEIRO, RJ, 18 de setembro (Folhapress) - O diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, disse que o país precisa investir rapidamente na expansão da capacidade de refino, uma vez que o mercado de combustíveis crescerá de modo acelerado e os principais gargalos estão em gasolina, querosene de aviação e óleo diesel. A estatal já é obrigada a importar esses produtos diante do aumento da demanda e não vislumbra uma saída no curto prazo. O executivo reiterou, porém, que tal urgência não se traduzirá em custos mais elevados --o que já se verificou no caso do Comperj (RJ) e da refinaria de Abreu e Lima (PE). Todos os projetos, diz, terão como base os preços de equipamentos e serviços usados em plantas internacionais de refino. "Temos como referência os custos internacionais. Acompanhamos isso diariamente", disse Cosenza. Segundo o diretor, o objetivo é monitorar de perto os projetos e evitar estouros de prazos e orçamentos. Ou seja, o ideal é não repetir as experiências negativas do Comperj e da refinaria de Pernambuco, que atrasaram o cronograma inicial e estão atualmente com avanço de 60% e 35% das obras físicas, respectivamente. O executivo disse ainda que o país demanda mais refinarias, mas que elas só sairão do papel se as condições de financiamento, custos e capacidade financeira da companhia permitirem. Diante disso, os projetos das unidades "premium" do Ceará e do Maranhão seguem sob reavaliação da companhia e só serão feitos se houve capacidade financeira e custos compatíveis. Tecnologias submersas Para reduzir custo de extração de óleo e investimentos em plataformas, a Petrobras investe em tecnologias submersas e encomendou à norte-americana FMC um sistema de separação de água e óleo, que já está em operação num poço no campo de Marlim, na bacia de Campos. Inovador no mundo, o sistema está instalado a uma profundidade de 900 metros. Até agora, similares a ele só operavam a, no máximo, 200 metros. O equipamento piloto consumiu US$ 90 milhões e está em fase de testes. Até 70% de toda a água extraída junto com o óleo do reservatório pode ser separada, segundo a FMC. Com isso, o petróleo flui melhor do fundo do mar e chega mais "limpo" e de modo mais rápido à plataforma, reduzindo o tempo de extração. Desse modo, o custo também cai. Outra vantagem é o fato de que os pesados e onerosos sistemas de separação de água e óleo instalados nas plataformas poderão serão mais simples, mais leves e com menos uso de aço e menor demanda de pessoal. Tudo isso reduz o investimento na construção da plataforma. Segundo José Mauro Ferreira, diretor de marketing da FMC, o novo equipamento tem capacidade de separação de 27 mil barris/dia, mas pode ser configurado para poços com volumes maiores, de acordo com a necessidade da Petrobras. "É uma solução inovadora em todo o mundo e certamente acarretará custos menores."  

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