Economia

Líder da oposição grega endurece postura contra resgate internacional

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 15 de setembro (Folhapress) - O líder da oposição grega, Alexis Tsipras, endureceu seus termos contra o resgate internacional do hoje. Ele prometeu combater uma rodada de austeridade que Atenas está negociando com seus credores. O esquerdista de 38 anos disse que iria mobilizar seus parlamentares e partidários contra as medidas de austeridade para evitar que elas provoquem danos irreparáveis à economia grega, depois de mais de dois anos das propostas que cortaram os salários em um terço. "A hora de parar a catástrofe é agora", disse Tsipras em um discurso na cidade de Salônica, no norte do país. "Essas medidas não devem ser aprovadas. Elas darão o golpe final no povo". Capitalizando sobre a frustração popular com os cortes passados, o partido Syriza de Tsipras surgiu das margens políticas para se tornar a segunda maior legenda na eleição de junho, perdendo por pouco para o primeiro-ministro conservador, Antonis Samaras, que agora lidera uma frágil coalizão de três partidos. Atenas está atualmente negociando com inspetores da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional novos cortes que vão erodir ainda mais a renda familiar depois de cinco anos consecutivos de recessão e desemprego de quase 25%. Os credores pressionam a Grécia a concordar e a aprovar medidas rapidamente se quiser se qualificar para outros pagamentos de resgate e evitar uma bancarrota caótica que poderia obrigar o país a abandonar o euro. A única maneira de a Grécia lidar com sua dívida descontrolada é repudiando grande parte dela, disse Tsipras: "Esse é o único modo crível e válido para sair da recessão". Ele disse que a Grécia deve trabalhar com outros países europeus endividados e rejeitou temores de que se arriscava a ser expulso da zona do euro. "Ninguém na zona do euro tem motivo político para obrigar um país a deixá-la", disse Tsipras. "A Alemanha definitivamente não tem tal motivo". O governo grego rejeitou as promessas de Tsipras de repudiar a dívida e reverter todos os cortes salariais e de aposentadorias feitas nos últimos dois anos. "A única coisa que ele não esclareceu é em que moeda ele vai honrar suas promessas", disse o porta-voz do governo, Simos Kedikoglou. "No Syriza eles estão sonhando em imprimir dracmas".  

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