Economia

Justiça nega pedido de suspensão da paralisação

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 14 de setembro (Folhapress) - O TST (Tribunal Superior do Trabalho) negou hoje pedido dos Correios para suspender a greve nos Estados de Minas Gerais e do Pará iniciada na terça-feira.

A vice-presidente do tribunal, Cristina Peduzzi, disse em sua decisão faltar informações para julgar o pedido. "Considero prematuro apreciar o pedido liminar, uma vez que não foi demonstrado pelo suscitante o estado geral da greve."

Para Peduzzi, não existem nos autos informações sobre a situação da greve -como taxa de adesão e prejuízos graves e concretos às atividades da empresa. "A simples notícia genérica de deflagração parcial e limitada de greve não autoriza, ao menos no momento, a apreciação da liminar."

Mas a ministra alertou na decisão que o pedido pode voltar a ser apreciado a qualquer momento, facultou às partes a apresentação de documentos que esclareçam a situação atual da paralisação e manteve a audiência de conciliação e instrução marcada para a próxima quarta-feira, às 10h30.

Os Correios ajuizaram ontem dissídio coletivo de greve no TST. Na ação, a empresa disse que as tentativas de negociação com o sindicato da categoria -Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores de Correios e Telégrafos e Similares)- foram infrutíferas e pediu que fosse declarada a ilegalidade da greve.

A empresa disse que não foi informada da paralisação com 72 horas de antecedência, conforme exige a Lei de Greve, e que se esgotaram as possibilidades das partes chegarem a um consenso.

Para a companhia, o movimento grevista é abusivo porque os Correios prestam serviços essenciais à sociedade, e sua eventual interrupção, ainda que parcial, causa sérios problemas à população.

Com esses argumentos, pediu a suspensão da greve até o julgamento final do dissídio ou que o sindicato seja obrigado a manter pelo menos 80% do contingente em cada uma das unidades operacionais da empresa.

Proposta

Os trabalhadores dos Correios realizarão assembleias na semana quem vem para avaliar a possibilidade de greve.

Em São Paulo, a categoria rejeitou nesta semana a proposta de reajuste de salários e benefícios oferecida pelos Correios --aumento de 5,2%, o equivalente à inflação do período.

As negociações começaram em agosto, quando inicialmente os Correios ofereceram reajuste de 3%.

Entre as reivindicações, o sindicato de São Paulo pede 10,2% de reajuste (reposição da inflação mais 5% de aumento real), ticket refeição de R$ 28 (atualmente é de R$ 25), vale cesta de alimentação de R$ 160 (hoje está em R$ 140) e manutenção do convênio médico nos moldes atuais.

Os Correios afirmam que o reajuste de 5,2% elevaria o salário-base inicial para R$ 991,77. "Se somado o adicional de atividade que os carteiros recebem, o vencimento subiria para R$ 1.289,30. Este cargo é de nível médio", informaram, em nota.
 

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