Economia

Mantega rebate críticas de Pedro Parente, CEO da Bunge

Da Redação ·
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, rebateu nesta sexta-feira as críticas feitas pelo ex-ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão e atual CEO da Bunge no Brasil, Pedro Parente, que cobrou um conjunto de medidas e um marco regulatório para que a indústria, principalmente a do etanol, volte a investir na produção. Após Parente afirmar que "há uma instabilidade nas regras do jogo" e cobrar a restituição de créditos tributários, além de pedir uma agenda infraconstitucional para o setor, Mantega admitiu que o governo tem problemas em aprovar uma reforma tributária por falta de acordo entre as 27 unidades da Federação. Para o ministro, no entanto, a restituição de crédito do PIS/Cofins é feita quase em tempo real, mas os do ICMS ainda são "um problema federativo". "Temos 27 estados, somos parecidos com a União Europeia, e é difícil achar um acordo, mas vamos avançar", observou o ministro. Em relação às críticas sobre a paridade dos preços da gasolina do etanol, o que inibe os investimentos na produção de cana de açúcar, Mantega deixou claro que o governo pretende manter o controle do preço da gasolina para segurar a inflação. "Queremos manter a expansão do etanol, criamos linhas de crédito, mas depois da crise de 2008 e de safras ruins, mais da metade dos investidores do setor quebrou", disse Mantega. "Não podemos atribuir tudo isso à gasolina, que tem impacto na economia nacional. Temos de olhar os interesses nacionais mais do que os específicos", completou o ministro se dirigindo a Parente. Ainda de acordo com Mantega, o preço da gasolina no País já foi mais elevado do que a média mundial durante muito tempo, o que deveria incentivar a produção e lucratividade do etanol. E atualmente o valor do petróleo é o mais caro da América Latina e deve ser mais caro que o dos EUA. "Não é de bom tom e de interesse da economia que 'o preço' da gasolina cresça muito. Temos de buscar um equilíbrio", concluiu o ministro.
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