Economia

Metalúrgicos de Campinas param por 24 horas e criticam projeto do ABC

Da Redação ·

Por Marília Rocha CAMPINAS, SP, 11 de setembro (Folhapress) - Trabalhadores do setor de metalurgia iniciaram hoje uma paralisação de 24 horas em empresas da região de Campinas (93 km de São Paulo). Eles buscam reajuste salarial acima da inflação e contestam um projeto de lei que, segundo a Intersindical, flexibiliza direitos trabalhistas. O Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, vinculado à Intersindical, afirmou que cerca de 6.000 trabalhadores aderiram à paralisação em três empresas: Mabe, CAF e AmistedMaxion. Outros 5.000 fizeram assembleias esta segunda-feira (10) pela manhã e atrasaram o início da produção em outras unidades, de acordo com o sindicato. "Em muitas empresas o trabalhador aumentou a produção, mas está tendo dificuldade para conseguir um aumento que recupere pelo menos a inflação do período", disse o diretor do sindicato Eliezer Cunha. A assessoria de imprensa da AmistedMaxion disse que a empresa estava com uma paralisação parcial nesta terça-feira, mas que não afetou a produção. A assessoria de imprensa da CAF disse que não tinha um posicionamento sobre o assunto. A reportagem não conseguiu localizar responsáveis pela Mabe. Acordo coletivo especial O sindicato também divulgou nota de repúdio ao projeto do chamado ACE (Acordo Coletivo Especial), encaminhado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC --vinculado à CUT (Central Única dos Trabalhadores)-- à Secretaria-Geral da Presidência. "A proposta é um desastre para os trabalhadores, porque permite que sindicatos reduzam direitos através de acordos entre empresários e sindicatos", disse Cunha. "As empresas têm muitos mecanismos de pressão e o trabalhador que não estiver de acordo não vai nem poder entrar na Justiça", afirmou. A assessoria de imprensa do sindicato dos metalúrgicos do ABC disse que não tinha nenhum porta-voz para comentar as críticas. O material de divulgação do projeto diz que o objetivo é "garantir segurança jurídica aos acordos específicos entre sindicato e empresa" e fazer com que a negociação coletiva seja "valorizada e adotada no País como instrumento mais moderno para a solução de conflitos".  

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