Economia

BCE confirma compra de títulos da dívida do euro no mercado secundário

Da Redação ·

SÃO PAULO, SP, 6 de setembro (Folhapress) - O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, confirmou hoje que comprará os títulos da dívida pública dos países da zona do euro no mercado secundário. A medida, esperada pelo mercado, pode ajudar as economias mais prejudicadas do bloco a se financiar com custos mais baixos. Os principais beneficiados seriam Grécia, Itália e Espanha, que estão pagando juros mais altos devido à crise da dívida pública. As operações serão condicionadas aos fundos de resgate europeus, o que incluem medidas de ajuste macroeconômico completo nos países endividados. As ações serão aplicadas até que seja alcançada a redução do risco da dívida pública das economias nacionais em dificuldades. Com isso, o BC europeu renuncia a sua condição de credor preferencial no novo programa de compra, em relação aos credores privados e que não terá um volume máximo por país. "Vai funcionar" Draghi garantiu que o novo programa vai funcionar, pois adiciona um elemento condicional, que é a intervenção com o programa de reformas do país beneficiado. Ele pediu que sejam estabelecidas condições "estritas e efetivas" em retorno às compras dos papéis. "Para que o BCE possa atuar, os políticos terão que avançar com grande determinação na consolidação fiscal, nas reformas estruturais e na criação de instituições europeias." Ele ainda requisitou ajuda do FMI (Fundo Monetário Internacional) para reforçar as condições para a compra de títulos e informou que o BCE divulgará semanalmente e mensalmente a compra dos títulos, assim como os países europeus. O presidente do BCE defendeu a medida, dizendo que é uma forma de salvaguarda contra a especulação dos investidores, que influenciam no endividamento das economias da zona. "Temos que estar na posição de poder salvaguardar os mecanismos de transmissão em todos os países do euro. A compra de títulos permitirá a zona do euro solucionar severas distorções nos mercados de títulos, que se baseiam em medos infundados por parte dos investidores sobre a irreversibilidade do euro." Em resposta a investidores céticos, Draghi disse que o euro é "irreversível". Previsto Prevista pelos analistas econômicas, a compra de títulos pelo BCE já diminuiu o custo dos juros das dívidas da Espanha, um dos países mais afetados pela crise financeira. Hoje Madri conseguiu captar 3,501 bilhões de euros em títulos a médio prazo, com juros de 2,798% para os papeis com prazo de dois anos, 3,676% em três anos e 4,603% no período de quatro anos. As taxas são bem menores que as anteriores, feitas em compras de junho e julho. Nas últimas vendas do Tesouro espanhol, os juros variaram de 4,706% (prazo de dois anos) a 5,971% (prazo de quatro anos). A França também colocou papéis à venda e captou 8 bilhões de euros, também com juros em baixa. Na quarta, os valores já tinham sido reduzidos com a perspectiva do anúncio de hoje do BCE. A proposta foi aprovada com a oposição do governo da Alemanha, maior economia do continente, e de seu banco central. Berlim argumenta que a tarefa do BCE é manter a inflação sob controle na região e que, ao comprar títulos de países em crise para valorizá-los, a instituição está financiando Estados.  

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