Economia

Indústria considera 'previsível" decisão do Copom

Da Redação ·
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera a redução de 0,5 ponto porcentual na taxa Selic, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na noite desta quarta-feira, como "uma decisão acertada e já amplamente antecipada". Em nota, a confederação afirma que a continuidade do processo de queda dos juros se faz necessária pela desaceleração da demanda e seus reflexos na atividade produtiva. Para a CNI, as pressões deflacionárias da economia mundial confirmam uma trajetória de inflação dentro da meta e justificam a postura mais ativa da política monetária, com cortes adicionais na taxa de juros. "A política macroeconômica continua na direção correta", ressalta a entidade. De acordo com a confederação, a diminuição dos juros conduz à manutenção de um patamar de taxa de câmbio mais favorável aos produtos brasileiros. Cita também que as medidas recentes de estímulo ao consumo são adequadas, embora seus efeitos se tornem cada vez menos efetivos. A CNI destaca, porém, que juros e câmbio mais adequados e incentivo ao consumo são insuficientes para, isoladamente, reativar a atividade econômica. "A retomada da economia requer o aumento do investimento e a melhoria da competitividade", menciona a nota. De acordo com a entidade, é urgente promover ações efetivas e de alto impacto de redução do custo de se produzir no Brasil. "Essas ações podem gerar um choque positivo de expectativas e romper a armadilha de crescer e investir pouco", conclui a CNI. Fiesp A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo avalia que o Banco Central foi "tímido" ao anunciar um corte de 0,50 ponto porcentual na taxa de juros básicos da economia, para 8% ao ano. "A queda de juros é benéfica para o Brasil, portanto, essa cautela excessiva adotada pelo BC não é necessária", afirma em comunicado Paulo Skaf, presidente da Fiesp. "Precisamos que o governo acelere o ritmo de queda dos juros, pois este é um importante fator que poderá nos levar ao resgate da competitividade do país", declara a entidade. No comunicado, a Fiesp lembra que, em setembro de 2011, quando o BC começou a baixar a taxa, os interessados nos juros altos afirmavam que seria o "fim do sistema de metas de inflação e que a inflação iria sair de controle". Ainda de acordo com a Fiesp, naquela época, a Selic era de 12,5% ao ano e a inflação projetada para 2012 era de 5,5%. "Hoje, a inflação projetada para o ano está convergindo para o centro da meta, 4,5%, e a Selic está em 8% ao ano", acrescenta a Fiesp. Fierj Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a redução da taxa Selic em 0,5 ponto porcentual, ficando em 8% ao ano, era previsível e se mostra insuficiente para ajudar no aquecimento da atividade industrial. "Levando em conta a conjuntura internacional, a baixa atividade econômica no Brasil e a trajetória cadente da inflação, a nova redução da taxa básica de juros era previsível", declarou a Firjan em comunicado à imprensa. "O quadro de baixo crescimento tem se mostrado persistente, particularmente na indústria, onde as projeções apontam para desempenho próximo ou abaixo de zero", completou a entidade. Na visão da Fiesp, é preciso adotar medidas para baixar custos da produção. "A extinção da multa adicional de 10% do FGTS paga pelas empresas em demissões sem justa causa, cujo custo ao setor empresarial ultrapassa R$ 3 bilhões anuais e que está na pauta do Plenário da Câmara dos Deputados, seria uma ótima iniciativa nesse sentido."
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