Economia

Ata do Copom vê menos risco de alta da inflação e cenário pior na Europa

Da Redação ·

As pressões inflacionárias estão menores na visão do Comitê de Política Monetária (Copom). A ata da reunião da última semana, publicada ontem (28), aponta ainda uma percepção pior do cenário internacional, especialmente da crise na Europa. O texto ainda faz considerações sobre a possibilidade de a oferta de bens crescer em ritmo inferior ao da demanda, o que tenderia elevar os preços.

continua após publicidade

Na reunião de 20 de julho, a taxa básica de juros (Selic) foi elevada em 0,25 ponto percentual, a quinta alta consecutiva – todas promovidas em 2011, já no governo da presidenta Dilma Rousseff. Diferentemente da ata da reunião anterior, o tom adotado em relação à inflação é mais suave e indica uma avaliação mais favorável do cenário. "O Copom entende que o cenário prospectivo para a inflação, desde sua última reunião, mostra sinais mais favoráveis", sustenta o documento.

Os diretores do Banco Central insistem que a inflação mais alta no último trimestre de 2010 e no primeiro deste ano tenha sido provocada por "choques de oferta domésticos e externos". Economistas apontam que a principal responsável pela pressão foi a elevação de preços internacionais de commodities (matérias-primas minerais e agrícolas, como alimentos). Os preços administrados por contrato – como de concessões de telefonia, energia elétrica etc. – também são apontados como vilões pelo BC nos três meses iniciais de 2011.

continua após publicidade

A ata ainda ecoa a análise de economistas ligados ao mercado financeiro e de parte da mídia de que a "concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade" pode ter "repercussões negativas sobre a dinâmica da inflação". Em outras palavras, o Copom considera que o aumento de salários pleiteado por entidades sindicais pode provocar alta de preços. Apesar disso, a ata sustenta que as "taxas de desemprego historicamente baixas" e o "substancial crescimento dos salários" são responsáveis por manter aquecida a economia.