Cotidiano

Seca no Pantanal provoca maior vazante em 121 anos

Expectativa é que chuva na região seja acima do esperado

Da Redação ·
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fonte: Mayke Toscano/Secom-MT
Seca no Pantanal provoca maior vazante em 121 anos

A seca histórica registrada no Pantanal deve provocar um período de vazante recorde na região. A vazante é um fenômeno típico de períodos de seca, quando o nível das águas baixa, expondo mais áreas de campos e morros. Neste período, o céu fica mais estrelado e os animais que haviam se dispersado com a cheia, ocorrida entre outubro e março, voltam às planícies.

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Este ano a vazante iniciou antecipadamente no Pantanal e a tendência é de declínio do nível da água apenas no final de outubro, quando historicamente o processo de vazante já terminou. Por isso, a previsão do Serviço Geológico do Brasil (CRPM) é que essa seja a vazante mais longa em 121 anos.

Além disso, a seca em 2021 tem apresentado menores níveis no Rio Paraguai, que podem chegar ao nível mínimo histórico. “Neste momento, essa é a quinta pior seca da história da região. Pela tendência atual, é possível que o rio alcance níveis históricos como aqueles de 1964, quando o rio atingiu a cota de -61 cm”, disse o hidrólogo e pesquisador em Geociências do CRPM, Marcus Suassuna Santos.

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O pesquisador Giovanni Dolif, meteorologista do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), destacou a situação meteorológica na região do Pantanal, em comparação com o ano passado. Este mês registrou o menor déficit de chuva do que no mesmo período de 2020, de acordo com o Índice Integrado de Seca (IIS). Ele alertou, ainda, para uma expectativa de chuvas acima do esperado na região, com transição para estação chuvosa dentro da normalidade.

Caroline Vidal, meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), afirmou que as chuvas estão abaixo da média e que o período é um dos mais secos desde 2010. “Onde há chuvas abaixo da média, há temperaturas acima do padrão. A tendência é que as chuvas concentradas no Norte do país migrem para o Centro-Oeste e Sudeste”.