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    Ribeirinhos do Marajó cortam os rios para receber cestas básicas

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    Escrito por Da Redação
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    Cortando o Rio São Cosmo – ao norte do arquipélago do Marajó - é possível ver várias palafitas isoladas entre as matas. Moradores tão afastados de qualquer comunidade quanto o lendário Timbó.

    “Essas pessoas vivem do extrativismo do açaí e da pesca do camarão. Os barcos passam aqui e compram a produção deles. Pagam de 25 a 40 reais num cesto de açaí e o quilo do camarão hoje está a 6 reais, mas depende da época” - explicou a ribeirinha Ana Maria Lobato, de 66 anos.“Na má fase, já vendemos o camarão até a 3 reais”, complementa o aposentado Valcir Lopes.

    Na confluência do Rio Piraioara com o Rio São Cosmo formou-se, em 2000, uma pequena vila com 30 casas – a Comunidade São Sebastião, que tem sua própria paróquia e a escola pública Olavo Bilac, de ensino fundamental.

    A confluência de dois rios é como se fosse um entroncamento de duas B.Rs – sempre tem movimento. Ali foi colocado um trapiche que, teve todas suas tábuas trocadas em apenas cinco dias por ordem do prefeito da cidade de Afuá. Afinal, a ministra Damares Alves iria passar por ali. O mau tempo impediu que a ministra fosse até lá, mas pelo menos, a ponte, toda revitalizada, vai permanecer por muitos anos.

    Na manhã desta terça-feira, dia 16, o Navio Auxiliar Breves, da Marinha do Brasil, foi até o novo trapiche levando 50 cestas básicas para a comunidade (no total, foram doadas 7.550 cestas para Afuá e 7.550 cestas para Chaves – dois municípios marajoaras). A doação veio da rede Carrefour e da APAS – Associação Paulista de Atacadistas e Supermercadistas -, que apoiaram a ação “Pão da Vida”, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

    Uma das primeiras a chegar para buscar a assistência foi Marcele da Silva, mãe de sete filhos. “Já recebi outras cestas do governo. Agora estamos recebendo essa ‘da Damares’. A gente tem que ir indo como Deus quer: não pode ir correndo? a gente vai andando.” - contou, conformada, a moradora de São Sebastião que, para ganhar um “extra” faz matapi de camarão (uma espécie de armadilha para pescar o crustáceo), vendido a 10 reais cada um.

    A pandemia de coronavírus atrapalhou a pequena economia do local. Para a líder comunitária, Idelsa Lopes, “A renda do povo ribeirinho é só a bolsa do governo federal, o extrativismo, a pesca, os produtos como açaí e a madeira, e alguma agricultura. Eles foram impedidos de comercializar os produtos deles. Tanto no nosso município quanto no Amapá”.

    Em toda a ilha do Marajó, há vários agricultores que extraem o palmito de açaí, muitas vezes ainda sem o manejo adequado e sem dar tempo para o replantio, o que diminui a produção dos frutos na safra regional.

    Antes mesmo do início da pandemia de coronavírus, por questões de segurança alimentar, uma determinação judicial impediu esses produtores rurais de continuar vendendo o palmito de açaí. Porém, alguns driblam a lei, envasam em vidros sem rótulo e mandam para os comerciantes locais.

    “Uma desembargadora proibiu de vender esses palmitos sem registro. Mas eles são tão bons quanto os outros. Se eu colocar na minha loja um palmito oficial, pelo preço que é, ninguém compra. Um vidro de palmito sem rótulo custa 6,50 reais” - explicou o comerciante Paulo Vaz, da Casa Beiradão, em Afuá.

    Sem precisar apelar para atividades ilegais, os moradores das margens dos rios São Cosmo, Piraioara e São Domingos (este, “um pouco mais lá pra cima”, como explicou uma assistida) receberam a garantia da ministra Damares durante a visita a Afuá, na segunda-feira, de que enquanto durar a pandemia, os inscritos no cadastro único do governo continuarão ganhando cestas básicas.

    “Eu tenho certeza que tudo isso vai passar. Só espero que não passe esse gesto bonito do povo brasileiro. Isso eu espero que continue para sempre”, finalizou a líder dos ribeirinhos, Idelsa Lopes, responsável por distribuir as cestas na sua comunidade.

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