Quem é o grupo ultraconservador que desafiou o papa Leão XIV e foi excomungado
Santa Sé declarou inválidos os casamentos e confissões celebrados pelo grupo tradicionalista e alertou que fiéis seguidores também serão excomungados

O Vaticano anunciou nesta quinta-feira (2) a excomunhão dos bispos da Fraternidade São Pio X (FSSPX) e declarou oficialmente que o grupo católico ultraconservador está em situação de cisma, o que decreta a sua separação formal da Igreja Católica. A punição máxima foi estabelecida após a organização desafiar diretamente o papa Leão XIV ao ordenar quatro novos bispos sem a autorização da Santa Sé, em uma cerimônia realizada na cidade de Écône, na Suíça.
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Segundo o G1, a decisão drástica invalida os sacramentos celebrados pela fraternidade a partir de agora. A direção do Vaticano advertiu os católicos de todo o mundo de que o grupo dissidente atua de forma ilícita e não tem permissão para oficiar casamentos ou ouvir confissões com validade perante a Igreja. A punição também serve como alerta aos seguidores: padres e fiéis leigos que decidirem aderir ao movimento serão automaticamente considerados cismáticos e excomungados. A ordenação dos novos bispos — dois franceses, um norte-americano e um suíço — ocorreu perante milhares de fiéis, ignorando um último apelo feito em carta por Leão XIV ao superior da entidade, padre Davide Pagliarani, para que renunciasse ao ato.
Considerada o maior núcleo dissidente do catolicismo tradicionalista da atualidade, a Fraternidade São Pio X foi fundada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre. A organização atua em extrema oposição às reformas modernizadoras do Concílio Vaticano II (1962-1965), defendendo uma interpretação mais conservadora da doutrina. Entre suas principais exigências litúrgicas estão o retorno da missa celebrada obrigatoriamente em latim e a condução da cerimônia com o padre posicionado de costas para o público, rejeitando adaptações culturais e a ampliação do diálogo com outras religiões promovidas nas últimas décadas.
A atual ruptura agrava uma crise que atravessa diferentes pontificados. O impasse repete quase de forma idêntica o cenário de 1988, quando o próprio Lefebvre ordenou bispos à revelia do então papa João Paulo II, resultando em excomunhões imediatas. Embora aquelas sanções tenham sido retiradas em 2009 pelo papa Bento XVI em uma tentativa de reaproximação e diálogo, a situação canônica da congregação permaneceu irregular. Com as novas consagrações não autorizadas, a divergência histórica atinge um limite irreversível e impõe o primeiro grande cisma da gestão de Leão XIV.
