Cotidiano

PM matou grávida no Rio em junho, conclui investigação da Polícia Civil

Da Redação ·
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Uma investigação da Polícia Civil fluminense concluiu nesta segunda-feira, 13, que o tiro de fuzil que matou a designer de interiores Kathlen Oliveira Romeu, de 24 anos, em 8 de junho último, partiu da arma de um policial militar, não identificado. Nesta tarde, o Ministério Público pediu a prisão de cinco PMs por alterarem a cena da morte da jovem para simular um confronto entre policiais e traficantes que não ocorreu. O objetivo seria ocultar responsabilidades dos agentes no homicídio.

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A informação sobre a conclusão da investigação policial foi divulgada pelo viúvo de Kathlen, o tatuador Marcelo Ramos, via redes sociais. Não se sabe ainda quem seria o autor do disparo. Em seus depoimentos, dois PMs admitiram ter disparado tiros no momento do crime.

"Para esse laudo (da Polícia Civil) sair foi muita luta", escreveu Ramos. "Mas a luta segue, só descansaremos até os responsáveis estarem presos."

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Em entrevista à TV Globo, a mãe de Kathlen, Jaqueline Romeu, também falou sobre a conclusão da investigação policial.

"Estou começando a ter um pouco de esperança, porque a verdade está sendo revelada; a verdade da minha mãe, a verdade das testemunhas", declarou. "E a verdade é uma só: o Estado assassinou a minha filha."

O crime aconteceu no Complexo do Lins, comunidade na zona norte, de onde a jovem havia se mudado pouco tempo antes porque queria se afastar da violência. Kathlen estava grávida de quatro meses. Naquele dia, ela foi à favela visitar a avó, que caminhava a seu lado quando um tiro de fuzil acertou o tórax da neta. Tanto a avó de Kathlen quanto várias outras testemunhas afirmaram, desde o dia do crime, que o tiro partiu da PM.

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Vídeos mostraram PMs recolhendo cápsulas e 'plantando' provas

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou o capitão da PM Jeanderson Correa Sodré, o terceiro sargento Rafael Chaves de Oliveira e os cabos Rodrigo Correia de Frias, Claudio da Silva Scanfela e Marcos da Silva Salviano. Segundo a denúncia, os cinco retiraram cartuchos deflagrados pela polícia da cena do crime antes da chegada da perícia ao local. Ainda segundo o MP, os agentes colocaram no lugar doze cartuchos calibre 9 milímetros deflagrados e um carregador de fuzil 556 com dez munições intactas.

Esse material, que seria "prova" do confronto inexistente com criminosos, foi apresentado posteriormente na 26ª Delegacia de Polícia, em Todos os Santos, na zona norte, como autêntico. Mas um vídeo feito por moradores mostra o momento em que policiais adulteraram a cena do crime, para induzir os investigadores a erro e se eximir de culpa.

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Ainda de acordo com o MP, por ser capitão e superior hierárquico dos demais, Sodré omitiu-se "quando tinha por lei o dever de vigilância sobre as ações de seus comandados" e deveria ter garantido a correta preservação da cena do crime.

"Enquanto deveriam preservar o local do homicídio, aguardando a chegada da equipe de peritos da Polícia Civil, os denunciados Frias, Salviano, Scanfela e Chaves o alteraram fraudulentamente, realizando as condutas acima descritas, com a intenção de criar vestígios de suposto confronto com criminosos", sustenta um trecho da denúncia.

Os PMs Scanfela, Salviano, Oliveira e Frias foram denunciados por duas fraudes processuais (por alterarem a cena do crime e apresentarem material falso à polícia) e dois crimes de falso testemunho (nos depoimentos à Polícia Civil e à Polícia Judiciária Militar). Já Sodré foi denunciado por omissão.

Polícia diz que IPM foi enviado a MP da Auditoria Militar

A Polícia Militar afirmou, por nota divulgada por sua assessoria de imprensa, que "o Inquérito Policial Militar (IPM) relativo ao caso foi remetido para o Ministério Público de Auditoria Militar". A Polícia Civil, por sua vez, não respondeu. Não foi possível localizar os acusados ou seus advogados.