Cotidiano

Petrópolis tem sirenes para evacuação só em dois de cinco distritos

Da Redação ·

Com um histórico de deslizamentos, inundações e outros eventos geológicos de diversas gravidades, Petrópolis (RJ) mantém um conjunto de 20 sirenes de alerta e evacuação restrito a dois dos cinco distritos. A maioria dos equipamentos, 18, está concentrada no 1º Distrito (chamado Petrópolis), que concentra 55% (15.240 ao todo) das moradias de alto e muito alto risco da cidade e, de acordo com as informações iniciais, a mais afetada pelas chuvas intensas de terça-feira, 15, que deixaram mais de uma centena de mortos.

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O 1º Distrito engloba o centro da cidade e 15 bairros e comunidades, como Alto da Serra (onde fica o Morro da Oficina, um dos locais mais afetados), Caxambu, Floresta e Valparaíso, dentre outros. As outras duas sirenes ficam no no 3º Distrito (Itaipava), mas são exclusivamente voltadas a inundações, por estarem na região do Vale do Cuiabá. A área foi uma das mais afetadas nas chuvas de 2011, que deixaram mais de 70 mortos na cidade.

Itaipava tem 3.312 moradias em áreas de alto e muito alto risco, de acordo com o Plano Municipal de Redução de Risco, divulgado pela prefeitura em 2017 e feito pela empresa Theopratique. Sem nenhum tipo de equipamento de alerta sonoro local, os Distritos de Cascatinha (2º), Pedro do Rio (4º) e Posse (5º) têm, respectivamente, 5.762, 1.723 e 1.667 habitações em áreas de alto e muito alto risco, das quais 1.985 deveriam ter as famílias reassentadas para novos endereços.

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No site da Defesa Civil municipal, é descrito que as "sirenes são a melhor ferramenta de prevenção a curto prazo que o município possui, já que possibilitam que moradores de áreas de risco sejam avisados com rapidez sobre a urgente necessidade de sair de casa e procurar um local seguro".

Mais adiante, é dito que a orientação aos moradores de área de risco é procurar um local seguro "sempre que começar a chover forte, antes mesmo de a sirene tocar". "Os alertas das sirenes são o último aviso de que a população deve sair da área de risco. O barulho da chuva no telhado já é um aviso", completa.

No Plano de Contingência Municipal, o monitoramento classifica a situação de risco em cinco escalas, de "baixo" a "máximo", e estágios, de "normalidade" ao de "crise" - a cidade está no de "crise" desde as 18h51 de terça-feira. As sirenes são acionadas nos estágios de "atenção" e "alerta" (o terceiro e quarto em gravidade), no primeiro caso para alertar para chuva forte e, no segundo, para a evacuação do local. Na fase de "atenção", também é emitido um boletim geológico, o que ocorreu quatro vezes neste período de chuvas, desde meados do segundo semestre de 2021.

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Por ter registrado chuva intensa na semana anterior, Petrópolis esteve em estado de "atenção" do dia 7 até a segunda-feira 14, com risco considerado alto para o 1º distrito homônimo e moderado para o 2º. Naquele dia, a Defesa Civil informou a mudança para uma classificação de "observação", porque o risco era "moderado". O comunicado também admitia "a previsão de instabilidade se mantém para terça e quarta-feira (15 e 16), em que há possibilidade de voltar a ocorrer pancadas de chuva, de intensidade moderada a forte, nos períodos da tarde e noite".

Nessa classificação, não há alerta sonoro, mas apenas por mensagens de SMS. A justificativa divulgada à época foi a redução no acumulado pluviométrico e "ausência significativa de chuva". Após a segunda-feira, não há registro de mudança para o estado de "atenção" ou "alerta" nas páginas do município até a piora nas chuvas, que resultou no estado de "crise".

O Estadão procurou a Prefeitura sobre os alertas, mas não obteve retorno até as 18h desta quinta-feira, 17. Não há informações oficiais até o momento de que a sirene de evacuação (estágio de "alerta") tenha sido acionada. Os gatilhos para a determinação deste estágio no Plano de Contingência são "ocorrências múltiplas simultâneas sobrepondo capacidade de resposta", "ocorrências concretizadas", "previsão de continuidade do cenário" e "necessidade de apoio de outras agências". A chuva daquele dia foi caracterizada pela grande quantidade de precipitação em poucas horas.

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Na tarde desta quinta-feira, com previsão de novas chuvas, 14 sirenes foram acionadas no 1º Distrito pela Defesa Civil. A Prefeitura também pediu à população para se manter em locais seguros e evitar circular pelo município.

As sirenes ficam nos seguintes bairros e comunidades: 24 de Maio (Morro do Estado e Rua Nova), Alto da Serra (Ferroviários), Bingen (João Xavier), Dr. Thouzet (Dr. Thouzet), Independência (Rua Ó e Taquara), Quitandinha (Amazonas, Ceará, Duques, Espírito Santo e Rio de Janeiro), São Sebastião (Adão Brand e Vital Brasil), Sargento Boening (Rua E), Siméria (Frente para o Mar) e Vila Felipe (Campinho e Chácara Flora), todos no 1º Distrito; e Vale do Cuiabá (Gentio e Buraco do Sapo), no 3º Distrito.

No início da temporada de chuvas, a prefeitura destacou que o monitoramento de risco envolvia 51 pluviômetros em 20 localidades de todos os distritos, cinco estações geotécnicas (de avaliação da umidade do solo), 56 câmeras e uma equipe de 32 pessoas na Defesa Civil. Nas comunidades, também havia retomado o programa de pluviômetros caseiros (feitos pelos moradores, com garrafa pet e uma régua cedida pelo Município) e mantinha um sistema de alerta alternativo por apitos na localidade Floresta, no 1º Distrito.