Cotidiano

OMS: varíola dos macacos se torna emergência de saúde global

Mais de 16 mil casos já foram relatados em 75 países, com cinco mortes

Da Redação ·
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No Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou, até o último dia 21, 592 casos confirmados da doença
fonte: Reprodução
No Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou, até o último dia 21, 592 casos confirmados da doença

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou neste sábado (23) a varíola dos macacos como emergência de saúde global. Mais de 16 mil casos já foram relatados em 75 países, com cinco mortes, informou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. No Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou, até o último dia 21, 592 casos confirmados da doença. O país está no ranking dos 10 países com maior número de casos. A reportagem é do G1.

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"Decidi declarar uma emergência de saúde pública de alcance internacional", disse Tedros em entrevista coletiva, afirmando que o risco no mundo é relativamente moderado, exceto na Europa, onde ele é alto.

Tedros informou ainda que, com as ferramentas disponíveis, será possível controlar o surto e parar a transmissão.

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Apesar da falta de consenso entre os membros do comitê de emergência da OMS, Tedros tomou a decisão de emitir a declaração - foi a primeira vez que o chefe da agência de saúde da ONU deu tal passo.

Há um mês, havia 3.040 casos relatados em 47 países. Desde então, o surto continuou a crescer, e agora há mais de 16 mil casos relatados de 75 países e territórios, além de cinco mortes, disse o diretor-geral em seu discurso.

A decisão deste sábado pode levar a um maior investimento no tratamento da doença e avançar na luta por vacinas, que estão em falta.

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Segundo o diretor-geral da OMS, somente metade dos países com casos registrados de varíola dos macacos tem acesso garantido às vacinas.

Já o diretor de emergências da OMS, Mike Ryan, diz que ser vacinado não dá proteção instantânea contra a doença.

Fatores levados em conta

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Tedros anunciou ainda que foi obrigado a considerar cinco fatores para tomar a decisão, levando em conta o Regulamento Sanitário Internacional:

As informações fornecidas pelos países – neste caso, o vírus se espalhou mais rapidamente que o previsto em alguns deles;

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Os três critérios para declarar uma emergência de saúde pública de interesse internacional, que foram atendidos;

O parecer do Comitê de Emergência, que não chegou a um consenso;

Princípios científicos, evidências e outras informações relevantes – que atualmente são insuficientes e deixam muitas incógnitas;

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O risco para a saúde humana, disseminação internacional e o potencial de interferência no tráfego internacional.

Em suma, segundo Tedros, há um surto que se espalhou rapidamente pelo mundo, através de novos modos de transmissão, sobre os quais entende-se muito pouco e que atendem aos critérios do Regulamento Sanitário Internacional.

‘Estratégias certas nos grupos certos’

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“Embora eu esteja declarando uma emergência de saúde pública de interesse internacional, no momento este é um surto que se concentra entre homens que fazem sexo com homens, especialmente aqueles com múltiplos parceiros sexuais. Isso significa que este é um surto que pode ser interrompido com as estratégias certas nos grupos certos”, disse Tedros.

O diretor-geral da OMS apontou a importância que todos os países trabalhem em estreita colaboração com as comunidades de homens que fazem sexo com homens para projetar e fornecer informações e serviços eficazes e adotar medidas que protejam a saúde, os direitos humanos e a dignidade das comunidades afetadas.

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“Estigma e discriminação podem ser tão perigosos quanto qualquer vírus. Além de nossas recomendações aos países, também peço às organizações da sociedade civil, incluindo aquelas com experiência no trabalho com pessoas vivendo com HIV, que trabalhem conosco no combate ao estigma e à discriminação”.

O diretor-geral da OMS fez ainda um conjunto de recomendações:

Implementar uma resposta coordenada para interromper a transmissão e proteger grupos vulneráveis;

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Engajar e proteger as comunidades afetadas;

Intensificar as medidas de vigilância e saúde pública;

Fortalecer a gestão clínica e a prevenção e controle de infecções em hospitais e clínicas;

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Acelerar a pesquisa sobre o uso de vacinas, terapêuticas e outras ferramentas;

Atenção às viagens internacionais.

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Sintomas

Os sintomas iniciais da varíola dos macacos costumam ser:

Febre

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Dor de cabeça

Dores musculares

Dor nas costas

Gânglios (linfonodos) inchados

Calafrios

Exaustão

Dentro de 1 a 3 dias (às vezes mais) após o aparecimento da febre, o paciente desenvolve uma erupção cutânea, geralmente começando no rosto e se espalhando para outras partes do corpo.

As lesões passam por cinco estágios antes de cair, segundo o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. A doença geralmente dura de 2 a 4 semanas.

Como se proteger

O uso de máscaras, o distanciamento e a higienização das mãos são formas de evitar o contágio pela varíola dos macacos.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou a adoção dessas medidas, frisando que elas também servem para proteger contra a Covid-19.

"Tais medidas não farmacológicas, como o distanciamento físico sempre que possível, o uso de máscaras de proteção e a higienização frequente das mãos, têm o condão de proteger o indivíduo e a coletividade não apenas contra a Covid-19, mas também contra outras doenças", disse a agência.

Por G1.

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