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Moda íntima 60+: que lingerie querem as mulheres acima dos 60

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Escrito por Da Redação
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De acordo com o Censo de 2020, o Brasil tem 28 milhões de idosos - ou seja, pessoas acima de 60 anos. Isso corresponde a cerca de 13% da população e a tendência é que esse percentual cresça ainda mais nos próximos anos, com o aumento da expectativa de vida.

No entanto, esses números não se refletem no mercado e na publicidade de alguns tipos de produtos, como os da moda íntima. Há uma noção de que idosos não são um público consumidor ativo, o que se acentua quando se trata de preservativos, artigos de sex shop e lingeries.

“Pela minha intuição, acredito que as pessoas têm o hábito de relacionar velhice à falta de sexo e vaidade. Vejo muito isso quando falo para uma amiga ou seguidora que vou me depilar. Muitas respondem ‘Para quê?’’, afirma Patida Mauad. Com 61 anos, a comunicadora e modelo produz seu próprio blog e o perfil @pamauad no Instagram.

Foto: Reprodução
   

Patida Mauad, 61 anos, é a responsável pelo blog patida.com | Foto: Luiz Cersosimo

A frustração da blogueira, que recentemente fechou contrato para fotografar um editorial de lingerie, parte também do fato de que lojas de moda íntima raramente escolhem modelos mais velhas para ilustrarem seus catálogos. “Há um equívoco de que é necessário ter um conjunto de lingerie específico para o idoso, mas não é. O  que você usa, eu posso usar”, aponta. 

O conceito de lingerie para idosos

Patida conta que buscava lingeries adequadas para fazer um ensaio fotográfico, mas depois de se deparar apenas com calcinhas grandes e de cores neutras, que em nada contribuíam para valorizar seu corpo, desistiu.

No que se refere a roupas como sutiã e calcinha, o imaginário social ainda associa as idosas a peças grandes e não atraentes. Mas é fácil perceber que essa realidade está mudando.

Helena Schargel é prova disso. A avó de 80 anos chamou atenção ao lançar, no ano passado, sua própria coleção de roupas íntimas, focadas em mulheres com mais de 60 anos. Mas a linha, feita em parceria com a marca Alto Giro, é apenas um detalhe.

Schargel, que trabalhou muitos anos com moda, é também modelo de suas lingeries. Em seu perfil no Instagram, informa aos seus mais de 25 mil seguidores: “Sou uma menina de 80 que encoraja mulheres a saírem da invisibilidade”.

A coleção conta com peças de lingerie sexy, adotando elementos como renda e animal print. E o sucesso da iniciativa comprova que há uma forte demanda do público maduro por peças íntimas de qualidade e de tipos variados.

Falta de investimento no público mais velho

Mauad conta que, nos últimos anos, vem sendo chamada para pesquisas de público-alvo de empresas. Nesses estudos, os profissionais de Marketing analisam o que cada pessoa pensa do produto, a fim de entender melhor como atingir sua clientela.

Na primeira pesquisa que participou, a faixa etária feminina era entre 50 e 80 anos. Esse pode ser um sinal positivo de que as marcas estão começando a enxergar os idosos como possível público consumidor. Mas, ainda de acordo com Patida, há um longo caminho pela frente.

“Sempre associaram os idosos a pessoas que não consomem, que não frequentam academias, que não fazem sexo, pessoas doentes”, enumera a comunicadora. E, infelizmente, isso não se dá apenas no universo da moda íntima.

Uma pesquisa da Universidade Positivo analisou propagandas de dez dos maiores anunciantes do país, de diversos setores, e o resultado é significativo: apenas 3% das propagandas tinham personagens idosos. E, quando são inseridos no elenco, costuma ser de forma estereotipada e limitada.

Por outro lado, dados mostram que há um filão a ser explorado junto a esse público. Um estudo feito em 2019 pelo Instituto Locomotiva e pela Bradesco Seguros afirma que R$1,8 trilhão movimentados anualmente no Brasil são de consumidores com mais de 50 anos.

Isso significa quase 42% de toda atividade financeira de pessoas físicas no país. Portanto, investir em um público-alvo idoso não é apenas democrático mas pode ser também lucrativo.

Atendimento inadequado também afasta consumidores

Outra questão que afasta os idosos de lojas é a falta de atendimento qualificado para clientes acima de 60 anos. Apesar de terem poder aquisitivo para comprarem os produtos, poucos vendedores os encaram como potenciais clientes. 

“Hoje em dia, o atendimento é péssimo. Na maioria das vezes, uma mulher de 60 tem mais dinheiro para gastar do que uma de 20, mas não é tão bem atendida”, afirma Patida. A recepção pouco acolhedora por parte dos vendedores não é um problema identificado apenas pelas mulheres mais velhas quando se trata de lingerie.

A análise feita pelo Instituto de Estudos e Marketing Industrial em 2015 afirmou que o bom atendimento é uma das variáveis mais importantes na hora da cliente optar por comprar ou não uma peça íntima, conforme mencionado por 42% das entrevistadas. Ou seja, é um fator mais importante do que preços baixos e bons descontos.

Atualmente, em função da pandemia, as compras de lingerie têm acontecido muito por e-commerce, mas outros fatores também prejudicam as vendas, inclusive nesse formato. Um deles é a já mencionada falta de representação na gama de modelos apresentadas no site, em sua maioria jovens.

A falta de interesse em disponibilizar produtos que dialogam com diversos perfis marca esse mercado. Tamanhos reduzidos, caimento pouco favorável e desconfortável são alguns dos fatores que afastam mulheres mais velhas de muitas lojas do meio.

“Eu gosto de lingerie confortável, que não marca e sem elástico. Existem muitos tecidos ótimos para a confecção desse tipo de lingerie, mas não é tão fácil de encontrar”, lamenta Patida.

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