Cotidiano

Menino de 10 anos morre durante brincadeira com amigos

A família do garoto, o levou às pressas para o Pronto Socorro, porém a 0h50, a morte foi confirmada.

Da Redação ·
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fonte: Arquivo pessoal
Menino de 10 anos morre durante brincadeira com amigos

Um garoto de apenas 10 anos morreu após ter um mal súbito enquanto brincava com amigos em Cubatão, região Metropolitana da Baixada Santista (SP). Conforme o laudo, Nicollas Rafael era portador de uma doença rara, que só foi descoberta após sua morte. Trata-se da miocardiopatia hipertrófica assimétrica, uma doença que se desenvolve de maneira silenciosa no organismo. 

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O menino passou mal enquanto brincava, chegou a pedir água para os amigos, ficou fraco e desmaiou. As crianças chamaram os responsáveis e a família o levou para o Pronto Socorro Infantil de Cubatão. Eles chegaram no local pouco antes de 0h, porém, a 0h50, a morte do menino foi confirmada.

A princípio, os médicos relataram à família que a morte havia sido motivada por causas naturais. No entanto, após exames, foi constatado que ele teve uma insuficiência cardíaca e um edema agudo pulmonar bilateral, que causa acúmulo de líquido no tecido pulmonar, desencadeado pela miocardiopatia hipertrófica assimétrica.

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O cardiologista Luiz Cláudio Behrmann Martins, especialista em arritmia cardíaca da Santa Casa de Santos, explica que nesta doença ocorre a significativa hipertrofia (crescimento) da região septal do coração, além de alguns casos ocorrer a dilatação dos ventrículos - câmaras do coração que bombeiam sangue para a circulação sistémica, no caso do ventrículo esquerdo, e para a circulação pulmonar, com relação ao ventrículo direito.

"Na verdade, afeta a região do septo, que é a parte que divide as cavidades do coração. É a região septal do músculo que cresce, e isso pode obstruir o fluxo de saída do ventrículo esquerdo, que é o que faz desenvolver os sintomas relacionados a insuficiência cardíaca no paciente", diz.

Conforme explica o médico especialista, a doença é genética, com herança autossômica dominante, ou seja, tanto o pai quanto a mãe podem ter. A incidência anual da doença é de 0,3 a 0,5 casos a cada 100 mil crianças, sendo considerada uma doença rara. Porém, no adulto é mais comum sua incidência. Como a doença está associada a fatores genéticos, não tem prevenção, mas a pessoa que tem caso na família deve fazer acompanhamento médico.

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"Pode crescer tanto o ventrículo esquerdo, como também o direito", diz o cardiologista. Conforme destaca o Ministério da Saúde, as paredes espessas e rígidas dos ventrículos não relaxam de maneira adequada para permitir que as câmaras cardíacas se encham de sangue. Essa dificuldade se torna mais grave quando o coração bate aceleradamente (como durante atividades físicas), pois, nesse caso, há ainda muito menos tempo para o coração se encher.

"Por não se encher suficientemente, o coração bombeia menos sangue a cada batimento. Às vezes, as paredes espessas do coração também interferem na saída do fluxo sanguíneo. Como as paredes ventriculares se espessam, a válvula mitral pode não conseguir se fechar normalmente, o que resulta em refluxo ou vazamento de sangue para o átrio esquerdo. Em geral, esse vazamento e as paredes ventriculares expandidas provocam sopros cardíacos. E, podem ocorrer ritmos cardíacos anormais que podem provocar morte súbita", explica o órgão de Saúde.

Entre os principais fatores que sugerem risco maior de morte estão septo acima de 30 mm, desmaio ou perda temporária e súbita de consciência de causa arrítmica nos parentes de primeiro grau com menos de 30 anos e quando tem arritmia ventricular sustentada documentada no holter de 24 horas [aparelho que monitora o batimento cardíaco], conforme explica o cardiologista.

Com informações: G1