Menina de 3 anos vence tumor raro de 11 centímetros no rosto após tratamento complexo em SP
Diagnosticada aos seis meses de vida, Maria Eduarda passou por 79 sessões de quimioterapia e uma cirurgia de reconstrução facial de 13 horas.

Aos três anos de idade, a menina Maria Eduarda da Silva Costa alcançou a cura definitiva após enfrentar um tumor raro e de rápido crescimento na região da boca e da face, que chegou a atingir quase 11 centímetros. O diagnóstico de tumor miofibroblástico inflamatório (TMI), um tipo de tumor mesenquimal localizado na região mandibular esquerda, foi confirmado quando a paciente tinha apenas seis meses de vida, no Hospital das Clínicas em São Paulo. Após passar por um longo processo terapêutico que incluiu quase 90 dias de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 79 sessões de quimioterapia e uma complexa intervenção cirúrgica, os exames mais recentes da criança não apontam qualquer sinal da doença.
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Os primeiros sintomas foram identificados pela mãe, Camila Costa, durante a fase de introdução alimentar da filha, quando percebeu uma assimetria nas bochechas da bebê e o desalinhamento do olho esquerdo. Inicialmente associado de forma errônea à dentição, o inchaço progrediu rapidamente e passou a comprimir estruturas vitais do pescoço e da face, obstruindo as vias aéreas e digestivas da menina. A gravidade do quadro exigiu medidas de emergência logo na primeira semana de internação hospitalar, sendo necessárias a realização de uma traqueostomia para viabilizar a respiração e de uma gastrostomia para garantir a nutrição direta da paciente.

O protocolo de tratamento foi conduzido no Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (Itaci) e durou dez meses, combinando aplicações semanais de quimioterapia endovenosa a um imunossupressor específico para promover a redução gradual da massa tumoral. Em outubro de 2025, Maria Eduarda foi submetida a uma cirurgia de grande porte com duração de 13 horas para a retirada total do tumor, procedimento que demandou a reconstrução de parte da bochecha afetada com o uso de tecido muscular retirado de sua própria perna. A recuperação pós-operatória exigiu sedação contínua para monitoramento da integração do enxerto e suporte de uma equipe multidisciplinar formada por fonoaudiólogos, fisioterapeutas e nutricionistas.
O encerramento do ciclo oncológico foi celebrado oficialmente em maio de 2026 com o tradicional toque do sino hospitalar, e a criança já retomou o convívio social e as atividades escolares na creche, apresentando desenvolvimento neuropsicomotor normal para a idade. Apesar do sucesso clínico, Maria Eduarda mantém o acompanhamento médico regular para gerenciar sequelas estruturais permanentes, como assimetria facial, ausência de dentes e alterações na mordida. Diante da complexidade do caso, a equipe médica ressalta a importância de que pais e responsáveis busquem investigação imediata ao notarem aumentos progressivos de volume, dificuldades de deglutição, ruídos respiratórios ou assimetrias persistentes na infância.
