Máfia do cigarro e jogo do bicho: STF manda prender pastor Márcio Poncio e bloqueia R$ 22 mi
Ação da Polícia Federal investiga esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propina que pode envolver ao menos 20 agentes políticos fluminenses.

A Polícia Federal prendeu o pastor e empresário Márcio Poncio, na manhã desta quinta-feira (2), durante a deflagração da quinta fase da Operação Unha e Carne. A ação, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho e à chamada “Máfia do Cigarro” no Rio de Janeiro, também cumpriu mandados de prisão contra o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como chefe da organização, e contra o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já se encontravam detidos. As ordens foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou ainda o bloqueio e sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões, além de 14 mandados de busca e apreensão, tendo como um dos alvos o ex-deputado Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.
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De acordo com a corporação, esta nova etapa busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pela nova cúpula do jogo do bicho e identificar possíveis ramificações do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo fluminenses. As investigações apontam que o grupo criminoso atuava na comercialização ilegal de cigarros em diversos municípios e no jogo do bicho, com movimentações financeiras expressivas que indicam o financiamento de atividades ilícitas e o pagamento de propina a agentes públicos. Apurações da TV Globo apontam que há suspeita de que ao menos 20 políticos tenham sido beneficiados com repasses financeiros do esquema.
Márcio Poncio, conhecido nas redes sociais e pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, foi localizado e preso em um flat na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. A PF apura as ligações do religioso com os integrantes da organização criminosa. Enquanto Adilsinho permanece detido, o ex-deputado Rodrigo Bacellar deve ser transferido para um presídio federal nos próximos dias. A ofensiva da PF está inserida no contexto da decisão do STF no âmbito da ADPF das Favelas, que determina a atuação da polícia federal no enfrentamento a facções e grupos criminosos no estado.
A Operação Unha e Carne teve início com quatro fases realizadas entre dezembro de 2025 e maio de 2026. Inicialmente, o foco das investigações era o vazamento de informações sigilosas de operações policiais no Rio de Janeiro, mas o avanço das apurações permitiu identificar uma rede de corrupção mais ampla, envolvendo agentes públicos, parlamentares e integrantes do Judiciário.
Em nota, a defesa de Márcio Poncio afirmou que ainda não teve acesso integral ao processo e que irá se manifestar após a análise dos autos. As defesas de Adilsinho e de Marco Antônio Cabral negaram categoricamente as acusações e declararam confiar na Justiça.
