Justiça torna réu homem que jogou ex-companheira de penhasco em MG
O homem responderá também por sequestro, estupro, roubo e tortura

A Justiça de Minas Gerais aceitou a denúncia criminal contra o homem acusado de sequestrar e jogar a ex-companheira de um penhasco na Serra do Rola-Moça, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Com a decisão, ele se torna réu pelos crimes de tentativa de feminicídio, sequestro e cárcere privado, estupro, roubo e tortura, todos qualificados pelo contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.
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O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que a denúncia foi formalmente recebida no dia 22 de junho e que a audiência de instrução e julgamento do processo foi realizada em 24 de agosto. A ação tramita em segredo de Justiça. O agressor segue detido preventivamente no Presídio Inspetor José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, para onde foi transferido em junho. A prisão ocorreu um dia após o crime, na cidade de Várzea da Palma, no Norte do estado, ocasião em que ele confessou às autoridades ter sequestrado e empurrado a ex-mulher do precipício.
O crime aconteceu na manhã de 25 de maio. De acordo com as investigações da Polícia Civil, a vítima, de 41 anos, havia saído de casa para deixar a filha na escola e, em seguida, ir para o trabalho. Ela foi seguida pelo ex-companheiro e abordada no momento em que descia de um ônibus. Sob ameaça de um canivete e sofrendo agressões físicas, a mulher foi levada à força até a Serra do Rola-Moça. Segundo os relatos, o homem caminhou pela área procurando diferentes pontos do penhasco antes de obrigá-la a ir até a beirada e empurrá-la.
A vítima despencou por cerca de 50 metros, mas conseguiu sobreviver ao se agarrar à vegetação e encontrar um espaço seguro entre as pedras. Ela permaneceu no local de difícil acesso por mais de 24 horas, passando a noite no desfiladeiro até ser localizada e resgatada por equipes de segurança na manhã seguinte. Com escoriações pelo corpo e um ferimento no pé, ela foi encaminhada para atendimento médico no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.
A brutalidade do ataque foi o ápice de um histórico de abusos. Em relato concedido após o resgate, a mulher afirmou que o relacionamento de 12 anos com o agressor foi marcado por episódios constantes de violência e crises de ciúmes. O perigo já havia sido alertado às autoridades dias antes da tentativa de feminicídio, quando a vítima procurou a polícia para denunciar que estava sendo perseguida e ameaçada pelo ex-companheiro, solicitando, na ocasião, uma medida protetiva de urgência.
