Cotidiano

Em Petrópolis, moradores convivem com angústia à espera de notícias

Da Redação ·

Ruas enlameadas, ônibus caídos em córregos, inúmeros veículos uns sobre os outros, casas destruídas, falta de energia elétrica em diversos bairros e uma quantidade de mortos que só aumenta - eram 44 até o fim da manhã desta quarta-feira, 16, mas o número segue aumentando. Há ainda incerteza sobre o total de desaparecidos, uma vez que não se sabe ao certo quantas casas estão soterradas no Morro da Oficina.

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A área foi a mais atingida pelas chuvas em Petrópolis (RJ) na tarde de terça-feira, 15. Ao longo da madrugada e de toda a manhã, bombeiros, moradores e voluntários trabalharam no resgate de vítimas. No pé do morro, amigos e parentes aguardavam em vão por notícias, uma vez que o sinal de celular praticamente inexiste.

"Vim por causa de um colega. A mãe e a filha dele, de cinco anos, estão soterradas", contou Letícia Jennifer, de 28 anos. "Meu colega ficou a noite toda ajudando a cavar. A casa está soterrada, ela tem três andares e o segundo está soterrado."

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Letícia é tia de Emanuelle, uma das crianças que estava na escola José Fernandes da Silva, que fica na mesma área e que teve os fundos parcialmente destruídos. "Ela (Emanuelle) falou que foi horrível, que parecia filme de terror. A água batendo nela, as cadeiras. Um amiguinho ficava segurando a mão do outro, porque a correnteza estava muito forte."

A mãe de Emanuelle só foi ter notícias da filha por volta das 22h, quando a encontrou no Pronto Socorro que fica ao lado. "Minha filha ficou soterrada, foi levada pra UPA cheia de barro, bebeu água de lama", narrou a dona de casa Dayana Gonçalves. "Ela me disse que os alunos agiram por conta própria. Muitos ficaram machucados, havia muitos em estado de choque. Minha filha está muito assustada e disse que não vai mais pra escola."

A costureira Sheila Mara Loiola, de 45 anos, também estava à espera de notícias sobre desaparecidos. Ela disse que acolheu muitas pessoas em sua casa desde a noite de terça. "Dois amigos nossos perderam a família inteira. Teve uma menina que só sobrou ela, não sobrou ninguém da família. Foi mãe, marido, todo mundo".

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Museu Imperial

Visitantes e funcionários que estavam no Museu Imperial de Petrópolis na tarde de terça-feira, quando uma tempestade atingiu a cidade, passaram a noite abrigados nas dependências do palácio e só conseguiram sair na manhã desta quarta-feira. Ninguém ficou ferido. O prédio do museu não sofreu danos e o acervo está preservado.

Dois prédios do complexo, onde funcionam o refeitório e vestiário dos funcionários, estão comprometidos em decorrência de um deslizamento no terreno anexo. Ambos foram interditados por medidas de segurança.

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Uma pequena barreira atingiu os fundos do Pavilhão das Viaturas, porém não houve danos. A Defesa Civil foi acionada para avaliar todas as estruturas e edificações de todo o complexo.

O palácio foi construído em 1845 e era a residência de verão da família real brasileira. O museu possui o principal acervo do país relativo ao império brasileiro, em especial o Segundo Reinado, sob o governo de dom Pedro II. São cerca de 300 mil itens no acervo.