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    Disputa por espólio de Capitão Adriano ajudou MP a identificar bens e lavagem

    Escrito por Da Redação
    Publicado em 23.03.2021, 11:39:00 Editado em 23.03.2021, 11:43:42
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    A disputa pelo espólio de Adriano Magalhães da Nóbrega - miliciano que morreu em fevereiro de 2020, na Bahia, após reagir à prisão - e movimentações financeiras e societárias de negócios ligados ao ex-capitão do Bope e seus aliados ajudaram o Ministério Público do Rio a reunir provas para pedir a prisão e a abertura de uma ação penal contra a viúva do miliciano, Julia Emília Mello Lotufo, e mais oito pessoas. Entre elas, um soldado e um sargento da Polícia Militar, Luiz Carlos Felipe Martins, que seria braço direito do miliciano e foi assassinado no último sábado.

    Alvos da Operação Gárgula, deflagrada pelo MP do Rio nesta segunda-feira, 22, eles são acusados de crimes de associação criminosa, agiotagem e lavagem de dinheiro ligados ao Capitão Adriano, como era conhecido o miliciano que empregou por dez anos a mãe e a ex-mulher no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Republicados/RJ), quando ele era deputado estadual, na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

    As duas são parte do esquema denunciado de "rachadinha" - apropriação indébita de salários de servidores. O caso está em julgamento de legalidade, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que já anulou parte central das provas, a quebra de sigilo fiscal e bancário dos alvos.

    Quatro dos acusados de serem parceiros de Capitão Adriano tiveram prisão preventiva decretada pelo juiz Bruno Monteiro Rulière, da 1.ª Vara Criminal Especializada da Capital: Julia Lotufo, seu ex-marido e soldado da PM Rodrigo Bitencourt Fernandes Pereira Rego, seu primo Daniel Haddad Bittencourt Fernandes Leal e o sargento da PM Luiz Felipe Martins (morto no dia 20). Os demais foram alvos de outras medidas cautelares ou são alvos da investigação, entre eles, dois irmãos da viúva, David Mello Lotufo e Lucas Mello Lotufo, e duas irmãs do miliciano, Tatiana Magalhães da Nóbrega e Daniela Magalhães da Nóbrega.

    Agiotagem

    Na Operação Gárgula, promotores do Grupo Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP do Rio, apontam que o esquema de agiotagem misturou, em uma mesma engrenagem financeira de lavagem de dinheiro sujo, os supostos rendimentos obtidos por Capitão Adriano com a milícia de Rio das Pedras, com os serviços para o Escritório do Crime (grupo de assassinos de aluguel), com a exploração de máquinas caça-níqueis dos contraventores e os negócios em cavalos e gado.

    A viúva do Capitão Adriano é considerada foragida. Segundo o MP, Julia Lotufo administrava o patrimônio ilícito do miliciano e teria participado ativamente nos esquemas de agiotagem e lavagem de dinheiro via Cred Tech.

    "Os dados produzidos demonstram que o denunciado Rodrigo Bittencourt Fernandes Pereira do Rego se reportava a Julia Lotufo prestando-lhe conta de valores decorrentes de empréstimos concedidos", registra a denuncia. "Evidenciando, desta forma, que a denunciada detinha controle sobre parte dos valores movimentados de Adriano Nóbrega."

    Segundo os investigadores, "a denunciada Julia permaneceu agindo com o intuito de ocultar e administrar o patrimônio de Adriano, beneficiando-se diretamente do proveito dos crimes por ele praticados", informou o Gaeco, por meio de nota.

    Réus

    Julia Lotufo e os esquemas da Cred Tech são só uma parte das apurações do MP do Rio sobre o patrimônio do Capitão Adriano e sua rede de amigos, que garantiu sua fuga por um ano. A Justiça decretou na Operação Gárgula o sequestro de R$ 8,4 milhões em bens do esquema.

    No despacho, o juiz Bruno Monteiro Rulière, da 1.ª Vara Criminal Especializada, registra que a denuncia é lastreada por dados das investigações do Escritório do Crime, originária do caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes (em março de 2018), e da Operação Intocáveis, contra a milícia da comunidade de Rio das Pedras.

    Queima de arquivo

    O assassinato do sargento da PM Luiz Felipe Martins, que seria braço direito do miliciano, no sábado passado, 20, em Realengo, no Rio, abre uma nova frente de investigação: sobre suposta execução. A morte ocorreu dois dias antes da deflagração da operação, data em que sua prisão já havia sido decretada.

    A morte foi considerada por investigadores uma "queima de arquivo". O caso vai ser investigado pela polícia e pelo MP. Luiz Felipe Martins era PM e pessoa de confiança do Capitão Adriano e da viúva.

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