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    Corpus Christi terá celebrações sem procissão e tapete nas ruas em todo País

    Escrito por Da Redação
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    Pela primeira vez em ao menos um século, as celebrações do Corpus Christi, uma das principais do calendário religioso católico, serão feitas nesta quinta-feira, 11, sem a tradicional procissão sobre os tapetes coloridos nas ruas.

    Devido à pandemia, as celebrações serão virtuais ou com pouco público, cercada de cuidados para evitar o novo coronavírus.

    A celebração acontece em todo o mundo católico no único dia em que o Santíssimo Sacramento - o corpo de Cristo presente na hóstia consagrada, segundo a crença católica - é levado em procissão pelas ruas.

    A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da comissão pastoral para a liturgia, expediu orientação às dioceses de todo o país para o acolhimento das orientações das autoridades sanitárias de cada região na celebração da data.

    Em dioceses em que a presença restrita de público nas igrejas foi autorizada, a CNBB recomendou cuidado especial para evitar a presença de pessoas de risco em celebrações comunitárias.

    "Ornamente a frente de sua casa (porta, varanda, janela, etc...) com flores, velas e algum símbolo eucarístico. Em vez de procissões, talvez algum grupo pequeno acompanhe o sacerdote que leva o Santíssimo Sacramento pelas ruas e espaços públicos."

    A comissão pastoral recomendou ainda que os grupos de risco devem ficar em casa e que sejam adotadas outras iniciativas, como a arrecadação de alimentos para pessoas que precisam de atenção. "Cada paróquia e comunidade católica, que crê em Jesus Cristo e na Santa Eucaristia, encontrará o modo de celebrar e de fazer aparecer publicamente o significado bonito desta manifestação de fé. Não será o novo coronavírus que nos impedirá de proclamar que Ele está no meio de nós", disse.

    Sem fiéis e tapetes

    O Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo, vai celebrar o Corpus Christi sem a presença de fiéis. É a primeira vez que isso acontece em mais de 100 anos. Após a missa que será celebrada às 9 horas pelo bispo D. Orlando Brandes, haverá uma procissão eucarística na área externa da Basílica, fechada ao público.

    Apenas os celebrantes participam dos atos, mas haverá transmissão por internet e TV. As celebrações presenciais estão suspensas desde março devido à pandemia. No Corpus Christi do ano passado, o santuário recebeu cerca de 50 mil pessoas.

    A celebração também levou 50 mil pessoas, em 2019, ao centro histórico de Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. Nesse caso, os turistas foram atraídos pela beleza dos tapetes coloridos que todo ano recobrem 850 metros das ruas centrais. A cidade é conhecida nacionalmente por essa tradição, que chegaria aos 52 anos, mas foi suspensa devido ao coronavírus.

    O bispo D. Vicente Costa celebrará missa às 15 horas, na igreja matriz de Santa Ana, construída em 1882. Em seguida, da torre da igreja, o bispo fará a exposição do Santíssimo abençoando a cidade.

    Senhas

    Em outros Estados, também houve mudanças. Em Brasília, a tradicional celebração solene seguida de procissão na Esplanada dos Ministérios foi suspensa. As missas serão celebradas com público restrito, das 10h30 às 18h30, pelo bispo D. José Aparecido, administrador da arquidiocese, na catedral de Brasília. A reserva de senhas foi feita através do site oficial.

    A arquidiocese de Florianópolis autorizou as paróquias a realizarem celebrações de modo presencial, mas determinou que sejam atendidas as normas das autoridades sanitárias. Um decreto do governo liberou as missas presenciais com público reduzido. Não haverá procissões externas, mas será feita coleta de alimentos.

    Em Salvador, a celebração será conduzida pelo arcebispo e primaz do Brasil, D. Sergio da Rocha, às 10 horas na Catedral Basílica, com um número reduzido de fiéis. Conforme a arquidiocese, em atenção aos decretos estadual e municipal, somente 40 pessoas poderão participar - as senhas já foram distribuídas. Após a missa, o cardeal irá até a porta da catedral para abençoar a capital baiana.

    A celebração em Belém começa às 7 da manhã, na catedral metropolitana, com um público reduzido, que precisou disputar senhas para o ingresso no templo. No final da missa, o arcebispo D. Alberto Taveira Corrêa irá até à frente da catedral para abençoar a capital paraense. Em Curitiba, além da missa celebrada pelo arcebispo D. José Peruzzo, com transmissão pelas redes sociais, haverá bênção com o Santíssimo em hospitais da cidade.

    Em paróquias do Mato Grosso, carros levando andores com o Santíssimo irão percorrer as ruas, abençoando a população. A arquidiocese de Cuiabá pediu aos fiéis que acompanhem a missa em casa, colocando um vaso com flores, um crucifixo, uma imagem de Nossa Senhora e uma vela acesa no ambiente. Também recomendou que a frente das casas seja enfeitada com flores. As paróquias devem recolher alimentos para os pobres.

    Em Ouro Preto, no circuito histórico mineiro, a celebração com ruas e casas enfeitadas, atrai anualmente milhares de turistas. Este ano, haverá missas festivas e procissões internas na Basílica do Pilar e nas paróquias de Cristo Rei e de Nossa Senhora da Conceição. O padre Marcelo Santiago, da paróquia do Pilar, convidou a população a acompanhar as celebrações em suas casas. Durante o feriado e até domingo, a prefeitura instalará barreiras sanitárias nos acessos ao centro histórico.

    Nas paróquias de Goiânia, as celebrações do Corpus Christi foram transferidas para domingo, 14, seguindo as recomendações do decreto governamental com medidas de prevenção à pandemia. Já nas paróquias do interior, a celebração pode acontecer nesta quinta, 11, ou no domingo, a critério dos padres, mas sem procissões ou aglomeração.

    Eucaristia

    Corpus Christi é uma expressão em latim que significa Corpo de Cristo. A celebração foi instituída em 1264 pelo papa Urbano IV e simboliza um dos princípios mais importantes do catolicismo - o sacramento da eucaristia, em que a hóstia consagrada, com a presença do corpo e sangue de Cristo, é dada em comunhão aos fiéis.

    No Brasil e em Portugal, a tradição popular consagrou o hábito de forrar as ruas com tapetes de materiais como pétalas de flores, borra de café, serragem e outros materiais, desenhando símbolos cristãos e figuras bíblicas, para a passagem da procissão.

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    Jornal da Tribuna 2ª Edição - 01/07

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