Cotidiano

Blocos apostam em festivais para Carnaval fora de época em SP e RJ

Da Redação ·

Como já era esperado por parte dos foliões, 2022 terá dois carnavais. São Paulo e Rio estão com mais de uma centena de festas, festivais e shows temáticos da folia, liderados por blocos populares. O "carnabril" terá opções pagas ou gratuitas, algumas com estruturas e localização escolhidas para remeter a um evento de rua.

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Em paralelo, há uma movimentação de parte dos blocos para que ocorram desfiles nas ruas. A situação foi discutida ontem, em uma reunião com a Prefeitura de São Paulo e em uma plenária de integrantes de uma organização de agremiações do Rio. As gestões municipais têm respondido que não haveria tempo hábil para a preparação de um evento deste porte, ainda mais sem patrocínio.

Neste e no próximo fim de semana, já há festas e ensaios de "pré-carnaval", assim como estão marcados outros de pós-carnaval para o início de maio. Há algumas opções fora do eixo Rio-São Paulo, mas em menor número. A maioria da programação está concentrada, contudo, nos quatro dias do feriadão de Tiradentes e nas duas capitais.

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Haverá opções gratuitas, como os festivais marcados para o entorno do Parque do Ibirapuera e no Vale do Anhangabaú, com o Acadêmicos do Baixo Augusta, a cantora Elba Ramalho e outras atrações. Já os pagos têm valores a partir R$ 20, mas que podem passar de R$ 1,1 mil, como no camarote de um festival inspirado no carnaval de Salvador, que contará com Daniela Mercury, Chiclete com Banana, Timbalada e outros no estádio do Corinthians.

No Rio, o clima de carnaval é ainda mais forte. Perfis temáticos em redes sociais têm divulgado programações diárias. De festas gratuitas a festivais e shows, com blocos, baterias de escolas de samba e artistas populares, como Wesley Safadão, Ludmilla, Bell Marques, É o Tchan e outros. Um dos principais eventos terá seis dias.

Formato adaptado

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"Teve carnaval e vai ter de novo", resume a descrição da festa marcada pelo bloco Casa Comigo em São Paulo. Para lembrar um pouco do clima da rua, o evento ocorrerá parcialmente em uma área aberta e com trio elétrico, para "ter pelo menos um gostinho de rua", descreve Raphael Guedes, um dos fundadores do bloco.

Ele conta que o evento começou a ser planejado assim que o carnaval do sambódromo foi transferido, enquanto o de rua seguia cancelado, e reaproveita parte da estrutura contratada para o desfile de rua, como trio, sistema de som e equipe de produção. "Nossos mestres também são mestres de escola de samba, estamos ligados a esse movimento e faz todo o sentido ter 'carnaval de rua' com o de avenida."

Para Guedes, por ser fora de época e fechado, o evento atrairá um público mais local, sem tantos foliões vindos de outras cidades e Estados. Também terá menor porte, limitado para mil pessoas, bem menos do que os milhares dos desfiles de rua. "Acho que, neste ano, as caravanas não virão."

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O bloco Minhoqueens também adaptou o formato do festival (de dois dias) para remeter ao desfile de rua, a começar pelo horário de início: 15h. "É para oferecer um clima de carnaval de rua, começando debaixo de sol e em espaço aberto", explica Fernando Magrin, idealizador do bloco. Após as 22h, a festividade passa a ser apenas em área coberta.

A possibilidade de Tiradentes ser um segundo carnaval em 2022 é lembrada até no nome do evento, batizado de "Carnavrau em Dobro". "Querendo ou não, teve carnaval de fevereiro, e foram várias festas. Vários outros blocos tiveram", avalia Magrin.

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Já o Bloco do Síndico fará uma festa de um dia e de menor porte. Um dos fundadores, Gustavo Gabas conta que o evento originalmente era pré-desfile do carnaval de 2022. "Com o aumento de casos (da covid-19), a gente postergou para a frente, sem data definida na época", explica. "Os fãs perguntavam a todo instante, desde o começo do ano, se iria ter festas, e quando seria."

Diferentemente de parte das agremiações e foliões, Gabas considera que 2022 será mais um ano sem carnaval. Para ele, a festa marcada pelo bloco para o feriadão é uma celebração para "não passar em branco", voltada a um público que considera pequeno, de cerca de 250 pessoas.

Na rua

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Além de espaços fechados, dois eventos em áreas públicas têm chamado a atenção em São Paulo. Os próprios organizadores destacam, contudo, que não é um carnaval de rua, mas o carnaval mais próximo possível que um bloco grande (que exige infraestrutura variada de segurança e logística) pode oferecer.

Um deles é o Carnaval Viva a Rua, que terá o bloco Frevo Mulher (da cantora Elba Ramalho), Monobloco e Orquestra Voadora, além de convidados como Margareth Menezes, Chico César e Geraldo Azevedo, com entrada gratuita no entorno do Parque do Ibirapuera mediante retirada de ingressos e passaporte da vacina.

"A estrutura é quase igual a de qualquer outro carnaval no Ibirapuera", comenta Rogério Oliveira, diretor da Pipoca, idealizadora do evento. "Será a melhor e menor versão possível (neste ano) do que é o carnaval de rua."

Ele conta que o evento foi motivado pela vontade de trazer opções gratuitas para a data. "Estava percebendo que o cenário seria igual ao do fim de fevereiro, só de festas fechadas, algumas caras, outras nem tanto, com o carnaval no sambódromo acontecendo e, de novo, a rua não podendo ter o seu carnaval."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.