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A violência contra mulheres no contexto brasileiro

Segundo o Atlas da Violência, 3.642 mulheres foram vítimas de assassinato (homicídio e feminicídio) no Brasil em 2024

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A violência contra mulheres no contexto brasileiro
Autor Foto: Imagem produzida com IA

O Atlas da Violência, publicado em maio de 2026, demonstra como a vida das mulheres é afetada por um problema histórico e estrutural: a violência de gênero. Segundo ele, em 2024, 3.642 mulheres foram vítimas de assassinato (homicídio e feminicídio) no Brasil, representando 3,4 registros de mortes a cada 100 mil mulheres. Isso significa uma baixa de 6,7% mortes em comparação com o ano anterior (3,6). Entretanto, não se pode comemorar porque os números de homicídios e feminicídios permanecem alarmantes, uma vez que a violência contra a mulher persiste como um dos principais problemas sociais da sociedade brasileira. Em entrevista, a professora Dra. Amanda Mendonça (UERJ), especialista no assunto, ressalta que a violência contra mulher não surge de um único fator, uma vez que “é resultado de uma combinação histórica, social, econômica, cultural e política que coloca as mulheres em posições de desigualdade e vulnerabilidade”. No Paraná, mais especificamente, a situação chama bastante atenção devido ao fato de ser o estado da Região Sul com maior índice de violência letal contra as mulheres, com 238 casos notificados em 2024 pelo sistema de saúde.

Importa destacar que as vítimas da violência letal no Brasil são sobretudo as mulheres negras (pretas e pardas), elas representaram 67,5% do total de homicídios femininos no país, em 2024. No Paraná houve um crescimento de 15,8% das mortes dessas mulheres, entre os anos de 2023 e 2024, tornando-o o terceiro estado da federação mais perigoso para elas, ficando atrás apenas de Santa Catarina (26,3%) e do Maranhão (19,8%). É preciso considerar que estas mulheres estão mais suscetíveis à violência porque enfrentam maiores dificuldades de acesso à educação, ao mercado de trabalho e à renda, além de estarem mais expostas a situações de vulnerabilidade social. Isso revela que as desigualdades de gênero devem ser analisadas em conjunto com as desigualdades sociais e de raça/cor muito em função do racismo estrutural.

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Não se pode esquecer que as mulheres também estão expostas a situações de violência não letal. A profa. Amanda Mendonça ressalta que a violência física e o feminicídio são as formas mais visíveis e extremas da violência contra a mulher, no entanto, ela “aparece em violências cotidianas, muitas vezes naturalizadas, que atravessam a existência das mulheres simplesmente pelo fato de serem mulheres” devido aos valores patriarcais ainda presentes na sociedade. Em 2024, segundo os dados do sistema de saúde, 293.842 mulheres sofreram outros tipos de violência, com destaque para negligência e violência sexual, sendo a maioria dos casos ocorridos em ambiente doméstico ou intrafamiliar. Mesmo sendo considerado um espaço de proteção, o ambiente doméstico concentra 79,9% dos casos, segundo o Atlas, revelando que a violência contra a mulher ocorre principalmente nas relações íntimas e familiares, acometendo mulheres de diferentes classes, raça/cor e geração, contudo, as vítimas mais frequentes continuam sendo as mulheres negras e pobres.

Os dados aqui enunciados mostram que a redução da violência contra as mulheres ainda é um desafio, pois, mais do que estatísticas, eles representam vidas interrompidas e reforçam a necessidade de ações concretas para enfrentar a violência de gênero, a desigualdade social e o racismo de forma integrada, bem como para fortalecer as políticas públicas e as legislações já existentes. Se você passar por alguma situação de violência ou conhecer alguma mulher que está vivenciando esta situação, denuncie e/ou ligue para o Disque 180. Meter a colher em briga de marido e mulher, salva vidas!

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