Cotidiano

Com iminente demissão de Mandetta, ‘número’ 2 no combate ao coronavírus deixa Ministério da Saúde

Da Redação ·
Wanderson Oliveira, pediu demissão na manhã desta quarta-feira (15).
Wanderson Oliveira, pediu demissão na manhã desta quarta-feira (15).

Principal nome à frente das ações de controle do coronavírus, o secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, pediu demissão na manhã desta quarta-feira (15).

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A informação foi confirmada pela pasta. Mais cedo, Oliveira já tinha divulgado uma carta à equipe, como revelou a coluna da Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo. O pedido de exoneração ocorre após o ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) avisar à equipe que será demitido da pasta até sexta-feira (17).

Além de Oliveira, o secretário Denizar Vianna (Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos) também deu sinais de que deve sair caso a exoneração do ministro se confirme.

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Com receio de ver os trabalhos descontinuados, auxiliares de Mandetta deram ordens à equipe para que acelerem a publicação de trabalhos técnicos que já estejam em fase de finalização para no máximo quinta-feira (16).

Mais cedo, Oliveira pediu a diretores que fizessem um balanço das ações de suas áreas para uma eventual troca de gestão. Pedido semelhante foi reforçado por Mandetta em reunião nesta quarta. Na ocasião, o ministro orientou a equipe a acelerar ações para mostrar que a pasta cumpriu o que havia prometido fazer.

Na manhã desta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que resolverá “a questão da Saúde” para que seja possível “tocar o barco”. A expectativa no Ministério da Saúde é que Mandetta seja demitido do comando da pasta até o final desta semana.

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“Pessoal, estou fazendo a minha parte”, disse o presidente a apoiadores que o aguardavam na frente do Palácio do Alvorada pela manhã. “Resolveremos a questão da Saúde no Brasil para tocar o barco”, afirmou.

O presidente não quis falar com a imprensa. Dos apoiadores que diariamente se aglomeram em frente à residência oficial, ouviu cobranças, o que o deixou incomodado. “Pessoal, se eu parar aqui para ouvir cada um com um problema, não paro mais”, disse.

Bolsonaro, contrário às recomendações do Ministério da Saúde e da maioria dos especialistas no combate ao coronavírus, planeja desconstruir a imagem de “herói” que Mandetta adquiriu para grande parte da opinião pública na pandemia. O objetivo é criar condições políticas para demiti-lo.

Segundo a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, Mandetta avisou sua equipe na noite desta terça-feira (14) que Bolsonaro já procura um nome para o seu lugar. O ministro conversou com integrantes da pasta em clima de despedida. De acordo com relatos, Mandetta avisou que combinou de esperar a escolha do substituto.