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    Pequenos negócios investem em novas estratégias em meio à crise

    Mudanças para se adaptar ao momento podem representar uma vantagem no futuro. (Foto: AEN)
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    Escrito por Da redação
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    Em um cenário de muitas incertezas, em virtude do avanço da pandemia do novo Coronavírus, os donos de pequenos negócios buscam novas estratégias para minimizar os prejuízos.  Entre os setores mais afetados estão os que funcionam de portas abertas e dependem da circulação de pessoas. Assim como muitos segmentos, os mercados de bairro também enfrentam queda no faturamento com a perda de clientes e ainda sofrem com aumento de custos em aquisições.

    Em um primeiro momento, a orientação do Sebrae aos empreendedores é reavaliar sua estrutura de custos e estratégias de posicionamento. “É o momento de revisar os custos e, durante essa análise, tomar medidas sejam elas de redução de custo, quando é possível renegociar um aluguel, por exemplo, ou até mesmo renegociar prazos de alguns pagamentos, o que pode ser feito direto com fornecedores”, destacou o gerente de Competitividade do Sebrae, Cesar Rissete.

    Daniela Cervi, proprietária de um mercado de bairro, em Cascavel, no oeste do Paraná, por exemplo, adotou como estratégia a revisão de custos. Grandes esforços são feitos para que os preços sejam mantidos e a clientela não sinta os efeitos dos reajustes.

    “Eu percebi que os grandes mercados da cidade vinham aumentando o valor de muitos produtos e as pessoas estavam reclamando deste cenário. Por isso, decidi fazer de tudo para manter os preços, não ter prejuízos e continuar próxima da clientela”, garante Daniela.

    Um dos exemplos é o preço da dúzia de ovos. Antes da situação gerada pela pandemia do Coronavírus, a empresária costumava pagar um valor 50% mais baixo do que está pagando agora. Mesmo assim, ela decidiu diminuir a margem de lucro, manter o preço para o cliente e, com isso, levá-lo a adquirir outros produtos no mercado.

    “Minha margem de lucro diminuiu nestes produtos cujos valores foram aumentados pelos fornecedores, mas o mesmo cliente que vem para comprar estes itens também aproveita para comprar outras coisas. É nessa hora que minha margem aumenta: perco um pouquinho da lucratividade em insumos que tiveram o valor reajustado, mas ganho na venda de outros itens para consumo diário, como pipoca, bolachas, erva de tereré e refrigerante, por exemplo”, completa Daniela. 

    Os serviços de entrega (delivery) têm se tornado uma importante estratégia dos pequenos mercados para chegar até os clientes que cumprem recomendações de não sair de casa em virtude da quarentena. Outra opção é o cliente encomendar suas compras e retirar os pedidos já previamente organizados, em um sistema de take out.

    O gerente do Sebrae explica que o empreendedor deve ter em mente que os clientes existem e continuam tendo a necessidade de comprar, mas devido às novas circunstâncias, não estão indo fisicamente até o negócio com a mesma frequência. “É muito importante que o dono do negócio mantenha a conexão com esse cliente, seja por meio das mídias digitais, de plataformas de entrega já existentes ou ainda, reconfigure o negócio para um delivery próprio para que minimize o impacto de uma provável perda de receita no estabelecimento”, analisou.

    Além disso, os donos de pequenos negócios podem buscar parcerias, se aproximando de iniciativas de cooperação e solidariedade que se espalham pela própria comunidade, com a venda de cestas básicas, por exemplo. Para o gerente do Sebrae, a adaptação ao cenário de crise pode representar vantagens no futuro e a oportunidade de tornar práticas, como análise do fluxo de caixa e cuidados sanitários dos colaboradores, ainda mais constantes. “Toda crise gera mudanças e é preciso enxergar novas possibilidades para aproveitar o momento e se conectar digitalmente com o seu cliente para fazer prospecção e ter formas diferenciadas de entregar os produtos”, afirmou.

    O proprietário de um mercado de bairro em Rolândia, no norte do Paraná, Aleks Monteiro, aproveitou o cenário incerto para tirar do papel uma ideia antiga, de implantar um delivery, sistema de entregas aos clientes. Para anunciar a novidade, usou as redes sociais da empresa e disponibilizou números de telefone fixo e whatsapp para a realização dos pedidos. O empresário também fez um trabalho forte nas redes para incentivar a população a comprar dos pequenos negócios, especialmente durante esse período de quarentena.

    E, para não perder espaço para as grandes redes, que oferecem maior variedade de marcas e produtos, Monteiro fez parceria com um mercado maior para atender os pedidos de compra de carne, já que as suas duas lojas não possuem açougue. “Assim, conseguimos entregar 100% do que o cliente pede”, conta. As compras acima de R$ 35 não têm taxa de entrega, assim como os pedidos feitos por clientes com mais de 60 anos. Abaixo desse valor é cobrada uma taxa simbólica de R$ 1,50. Segundo o empresário, o delivery deu tão certo que o serviço será mantido de forma permanente. “Vale a pena investir nas entregas, isso fez aumentar a nossa demanda e nos possibilitou atingir outros bairros da cidade”, comemora.

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