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Museu do Holocausto repudia e classifica fala de Alvim como “apologia ao nazismo”

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O Museu do Holocausto de Curitiba repudiou, no começo da tarde desta sexta-feira (17), a declaração do secretário Especial da Cultura, Roberto Alvim, que em discurso citou trechos do ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels. De acordo com o espaço cultural, o texto é repulsivo e “cruza a linha do que é moralmente aceitável”. Alvim teve a demissão confirmada pelo presidente Jair Bolsonaro no começo da tarde.

Na nota, o Museu do Holocausto afirma que uma autoridade que insere citações ipsis litteris de um notório criminoso nazista, e se vale de sua estética, é uma afronta. “Este inadmissível plágio textual e estético, além de repulsivo, cruza a linha do que é moralmente aceitável e configura apologia ao Nazismo. O Museu do Holocausto de Curitiba não apenas repudia, como também clama pelo afastamento de todos os responsáveis e pela instauração de um processo penal”, diz a nota.

Além dos trechos, o vídeo de Alvim usa como música de fundo uma ópera de Wagner, compositor preferido do líder nazista, Adolph Hitler.

Confira a nota na íntegra:

Na noite do dia 16 para 17 de janeiro de 2020, o secretário da Cultura do Governo Federal, Roberto Alvim, publicou um vídeo de divulgação do Prêmio Nacional das Artes, o qual causou justa indignação nos mais diversos setores da sociedade. A razão principal é que parte do pronunciamento se configura como cópia parcial de um discurso do ministro da propaganda alemão durante o regime nazista, Joseph Goebbels, conforme atestam diversas fontes historiográficas.

Em primeiro lugar, uma autoridade, qualquer que seja sua hierarquia ou país, que insere num pronunciamento oficial citações ipsis litteris de um notório criminoso nazista, e se vale de sua estética, é uma afronta.

Em segundo lugar, causa perplexidade a similaridade não só de palavras, mas de conteúdo. O regime nazista visava aparelhar a produção cultural alemã aos seus objetivos políticos. A arte deveria, aos olhos nazistas, servir para unir a nação, enaltecer o espírito patriótico e a lealdade de seus cidadãos. A produção artística que fosse crítica aos ideais nazistas, adotasse uma estética considerada contrária ao enaltecimento da nação ou que questionasse a ordem vigente foi gradualmente marginalizada, censurada e finalmente perseguida. A produção cultural, que tem um de seus papéis fundamentais a expressão dos sentimentos, a crítica ao status quo e a possibilidade de imaginar cenários diferentes era, dessa forma, atacada em seu cerne.

Nesses termos, o secretário deixa claro que somente serão valorizadas pelo governo federal as manifestações culturais alinhadas à valores ideológicos pré-definidos.

Junto a isto, a seleção ideológica e o ataque verbal e financeiro à arte crítica e aos seus valores são um enorme acinte, um desrespeito às vítimas do Holocausto e uma ofensa a todos aqueles que, independentemente dos posicionamentos políticos, acreditam na democracia, nos direitos humanos e na liberdade e pluralidade de pensamento e expressão.

Em terceiro lugar, o uso como trilha sonora da ópera Lohengrin, de Richard Wagner, exaustivamente utilizada no período nazista como exacerbação da purificação e do nacionalismo alemães, também desonra e gera repulsa àqueles que buscam aprender e transmitir as lições da Shoá.

Resumindo: este inadmissível plágio textual e estético, além de repulsivo, cruza a linha do que é moralmente aceitável e configura apologia ao Nazismo. O Museu do Holocausto de Curitiba não apenas repudia, como também clama pelo afastamento de todos os responsáveis e pela instauração de um processo penal.


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