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A experiência de ter um filho em casa

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A fotógrafa e artesã Dayane Aline Vecchi, 23 anos, de Apucarana, não só teve o primogênito Caiuá, de 3 meses, como realizou um sonho antigo (Cristiane Paixão)
A fotógrafa e artesã Dayane Aline Vecchi, 23 anos, de Apucarana, não só teve o primogênito Caiuá, de 3 meses, como realizou um sonho antigo (Cristiane Paixão)

Você teria coragem de ter seu filho em casa? A fotógrafa e artesã Dayane Aline Vecchi, 23 anos, de Apucarana, não só teve o primogênito Caiuá, de 3 meses, como realizou um sonho antigo. “Tudo começou no meu nascimento, quando minha mãe Rosemar, com apenas 16 anos, ficou grávida. O parto aconteceu em ambiente hospitalar, em Curitiba, e ela sofreu diversos procedimentos, que hoje sabemos ser violência obstétrica”, conta. 

Entre os procedimentos citados por Dayane, está episiotomia, a manobra de Kristeller, a posição litotômica, uso desnecessário do fórceps. “Enfim, uma desumanização total. Nasci cheia de hematomas, com as clavículas quebradas e, por horas, fiquei separada da minha mãe, nem tive o contato pele a pele de imediato, que hoje sabemos ser fundamental para o vínculo mãe e filho”, explica. 

Diante de relatos de violência contados pela mãe, Dayane, desde o momento que entendeu o que havia acontecido, se questionava sobre os “porquês” da vida. “Sempre que alguém me perguntava o que seria quando crescer, eu dizia que queria ser parteira. Essa grande inspiração também veio das histórias que minha vó me contava sobre partos em casa, realizados por minha bisa, que era parteira. Eu ficava fascinada por esse mundo oculto, misterioso que era o grande mistério de dar à luz a um ser”, conta. 

Em janeiro de 2018, a fotógrafo conta que sentiu o chamado para fazer um curso de doula, assistente de parto, sem necessariamente formação médica, que acompanha a gestante durante o período da gestação até os primeiros meses após o parto, com foco no bem-estar da mulher. “Fiz o curso e fiquei encantada, porém, preocupada com o sistema obstétrico brasileiro, senti o trauma do meu nascimento pedindo cura. A cada dia de curso era mais forte a minha missão em ajudar as mulheres em um parto humanizado”, relata. 

Para entender melhor o universo, Dayane achou que teria que passar pela experiência de dar à luz. “Teria que viver este momento para a missão, mostrando que é possível nascer em um ambiente calmo, silencioso, seguro, protetor, acolhedor, que é o nosso lar, claro, tendo uma boa gestação, sendo ela de baixo risco”, recorda. 

Assim que descobriu que estava grávida, a artesã procurou uma equipe de parto domiciliar, formada pelas enfermeiras obstétricas e neonatal Aline Palmonari e Neia Chagas, e pela doula Jessica Scipioni, de Londrina, além de fazer questão da presença e apoio do marido Bruno, que esteve desde ao seu lado desde o início da chegada de Caiuá. 

“Tive um acompanhamento maravilhoso, me transmitiram muita segurança, força, e foi assim que Caiuá nasceu no aconchego do nosso lar, um parto normal humanizado, abençoado, repleto de amor”, comemora. Caiuá nasceu dentro da água, em uma piscina e Dayane diz estar realizada. 

“Ele nasceu no tempo dele, sem nenhuma intervenção. Veio direto para meus braços, onde ficamos ali por um bom tempo nos conhecendo e nos amando. Um momento de cura que jamais vou esquecer. Momento de muita gratidão por ter quebrado um padrão, um mito, uma violência, uma tristeza”, reforça. 

Michelle Caçador

A artesã Michelle Caçador, de Apucarana, estava com 41 semanas, quando o segundo filho Luca nasceu, na madruga de 16 de outubro de 2017. “Comecei a ter dorzinhas. Tentei descansar, mas era quase impossível. Quando as parteiras e doulas chegaram de Maringá eu fiquei mais tranquilas. Elas prepararam todo o ambiente com luzes, velas e fazendo massagens e respiração para ter menos dor”, recorda. 

O marido de Michelle, Herbert Tonon também ficou ao lado da esposa o tempo todo, fazendo massagem e dando apoio. Já João, o primogênito do casal, só acordou depois que Luca nasceu. “Fiquei o tempo todo no quarto, tentando fazer movimentos e esperando chegar cada contração. Nos 2 partos, conclui que ao invés de ficar sofrendo na contração, o melhor é enfrentar a dor. Parece que fica mais leve e passa mais rápido o tempo”, conta. 

A família de Michelle estava toda em casa acompanhando o parto, inclusive minha mãe, que acompanhou o nascimento do netinho. “Quando Luca nasceu, ele foi direto para os meus braços. A emoção é muito forte para todo mundo que participou. Ali mesmo já cortou o cordão umbilical e foi conhecer o irmão, que acordou bem na hora e no colo do pai enquanto eu precisava parir a placenta”, lembra. 

Os dois partos, tanto de João quanto o de Luca, foram em casa e Michelle fez um quadro com o sangue da placenta para recordar o momento especial. “Parece estranho, mas muito comum nos partos humanizados, congelei a placenta para depois plantar junto com uma árvore em um local especial. O legal de parir em casa é que não tem procedimento nenhum e o bebê fica todo o tempo junto da mãe da família”, esclarece. 

Parto Domiciliar

Segundo o pediatra Luiz Henrique Veloso, a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (Figo), recomenda que uma mulher dê à luz no local em que se sinta segura e no nível mais periférico em que a assistência adequada for viável e segura. Para muitas, a escolha cai sobre o parto domiciliar.

Luiz Henrique explica que na visão das sociedades de pediatria de todo o mundo um fato é que os nascimentos que ocorrem dentro dos hospitais são capazes de assegurar as melhores chances e condições de cuidado adequado à vida e à saúde da parturiente e do recém-nascido, sendo os mais seguros e que causam menor chances de evoluir com sequelas definitivas ou até o óbito dos recém-nascidos. 

O médico explica que existe o conhecido “Golden Minute”, que são os primeiros 60 segundos da vida de um recém-nascido, fundamentais para o adequado desenvolvimento de uma criança. “Portanto, se optado pela realização do parto domiciliar, este deve ser conduzido de maneira correta, contando obrigatoriamente com um médico pediatra ou neonatologista capacitados a lidar com eventuais emergências, como por exemplo, um sofrimento fetal agudo ou uma parada cardíaca”, ressalta. 

Além disso, segundo o pediatra, é fundamental que sejam preparados e estejam a disposição vários materiais de auxílio para uma Reanimação Neonatal segura (oxigênio, cateter-umbilical, medicações, monitores) e transporte assegurado para uma maternidade/UTI neonatal.

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