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Após perdão, Fujimori fala em 'Peru sem rancor'

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SYLVIA COLOMBO

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Poucos dias depois de deixar a clínica em que esteve internado por causa de um problema cardíaco e de ser levado para casa graças a um indulto humanitário concedido pelo atual mandatário peruano, o ex-presidente Alberto Fujimori, 79, parece estar com preocupações que vão além de seu estado físico.

O governante do Peru entre 1990 e 2000 vinha cumprindo uma pena de 25 anos por crimes contra os direitos humanos e de corrupção. Agora, é o principal tópico da discussão política no país.

Desde o dia do indulto, na véspera de Natal, quando transmitiu do hospital um agradecimento ao presidente Pedro Pablo Kuczynski por sua liberação, até hoje, Fujimori não parou de postar mensagens políticas.

Falando de uma "nova etapa de vida", em que "sonhos de um Peru sem rancores me invadem", e desejando que o país "recupere a segurança" por meio da reconciliação das forças, Fujimori vem alvoroçando tanto a oposição quanto os membros do partido ligado a ele, o Força Popular.

Um dos temas é a reconciliação dos filhos, Keiko e Kenji. Keiko é a líder da sigla que pediu a abertura de um pedido de vacância para afastar do cargo PPK (como é chamado o presidente) por causa de seu suposto envolvimento com o esquema de subornos da construtora brasileira Odebrecht.

Já Kenji liderou uma bancada rebelde de dez congressistas do próprio partido para evitar a queda do presidente, com quem barganhou o indulto ao pai.

Finalmente, Fujimori passou a postar detalhes sobre como será sua defesa na Corte Interamericana de Direitos Humanos, em 2 de fevereiro.

O tribunal foi acionado por familiares das vítimas dos massacres de La Cantuta e Barrios Altos, quando um esquadrão da morte vinculado ao fujimorismo matou civis alegando serem vinculados ao grupo guerrilheiro Sendero Luminoso. A ideia é que o tribunal avalie o indulto concedido por PPK.

Fujimori tem 64.700 seguidores na internet.

Para o deputado Salvador Heresi, porta-voz do partido governista (Peruanos pela Mudança), Fujimori deveria "manter um perfil mais discreto nas redes": "O indulto gerou conflito, e ele sai da prisão falando como se fosse o papa Francisco. Está fora de lugar".

Já a deputada esquerdista Tania Pariona considerou que as mensagens "denotam interesse em voltar a fazer política".

Dentro do fujimorista Força Popular, as mensagens do ex-líder também causaram incômodo. A deputada Rosa Bartra disse que o ex-presidente deve "respeitar a hierarquia do partido, que é liderado por Keiko". A legenda está avaliando punições aos deputados da bancada de Kenji, que votaram contra a orientação de Keiko.

Um dos principais deputados fujimoristas, Héctor Becerril, também criticou Fujimori por "convocar dez congressistas para que votassem a favor da corrupção em troca de seu indulto".

Apesar do estado de saúde dito delicado, Fujimori não foi viver com nenhum de seus familiares e nem perto de alguma clínica. Sua casa fica num condomínio fechado no bairro nobre de La Molina, ao norte de Lima.

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