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Tramas femininas são as grandes vencedoras do Globo de Ouro

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GUILHERME GENESTRETI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ao anunciar o prêmio de direção no Globo de Ouro, na noite do domingo (7), a atriz Natalie Portman quebrou o protocolo e frisou que os diretores eram "todos do sexo masculino". Apesar de sua justa queixa, o que marcou a cerimônia foi a proeminência das mulheres -uma guinada numa indústria que desde outubro vê homens caindo sob denúncias de assédio sexual.

A mais óbvia faceta da virada se viu no tapete vermelho, tomado por vestidos pretos em protesto contra os abusos, e no discurso engajado de Oprah Winfrey, que roubou os holofotes. Mas é no bojo das tramas vencedoras, tanto em cinema quanto em TV, que o protagonismo feminino deve ser destrinchado.

Foi a primeira vez em 15 anos que tanto os ganhadores na categoria de filme dramático quanto na de filme cômico ou musical foram histórias de temática feminina e protagonizadas por mulheres.

Foi o caso do grande vencedor da noite, "Três Anúncios para um Crime", que levou por melhor filme de drama, roteiro, atriz de drama (Frances McDormand) e ator coadjuvante (Sam Rockwell).

Simbólico. A trama, dirigida pelo britânico Martin McDonagh, revolve o ódio nos rincões dos Estados Unidos e é centrada na figura de uma mulher (McDormand), cercada por homens corruptos, que intimida a ineficiente polícia local com anúncios em outdoors. A motivação é a vingança contra o xerife que não solucionou o estupro e assassinato da filha dela.

História parecida, também de uma mãe vingativa, surpreendeu levando o prêmio de longa estrangeiro. O alemão "Em Pedaços", de Fatih Akin, tem Diane Kruger no papel de uma mãe que perde marido e filho num atentado neonazista e busca revanche.

Também é carregado de feminismo o vencedor em filme de comédia: o independente "Lady Bird", de Greta Gerwig, trama de amadurecimento sobre uma adolescente californiana, que deu ainda o prêmio de atriz de categoria cômica a Saoirse Ronan.

O protagonismo feminino não parou nos vencedores.

"A Forma da Água", tido como grande favorito, levou por direção (para o mexicano Guillermo del Toro) e trilha sonora, e também se desenrola sob ótica feminina. No caso, da faxineira Elisa (Sally Hawkins), que se envolve com o monstro aquático mantido no laboratório secreto em que ela trabalha.

Mesmo em "The Post", de Steven Spielberg, que tem Meryl Streep e Tom Hanks no papel de jornalistas em batalha contra o governo americano nos anos 1970, quem move a trama é ela, que interpreta a primeira publisher mulher da história dos EUA.

AGRESSÃO A MULHERES

Embora os longas de Del Toro e de Spielberg tenham esmorecido na premiação, são fortíssimos concorrentes ao Oscar, que anunciará seus indicados no próximo dia 23.

Outro postulante robusto, que ganhou força no Globo de Ouro, foi "Eu, Tonya", outra história feminina. Aqui, a personagem principal é a patinadora Tonya Harding, vivida na ficção por Margot Robbie em seu melhor papel.

Nos anos 1990, a esportista foi pivô de escândalo cujo estopim foi a agressão à rival Nancy Kerrigan a mando do então marido de Tonya.

O longa de Craig Gillespie quase redime a protagonista ao retratá-la como vítima da mãe megera (Allison Janey, Globo de Ouro de atriz coadjuvante) e do companheiro agressor (Sebastian Stan).

Agressão a mulheres também permeia as maiores vencedoras dos prêmios de TV.

"Big Little Lies", sobre um grupo de mães às voltas com violência doméstica, levou estatuetas de minissérie, atriz de minissérie (Nicole Kidman), atriz coadjuvante (Laure Dern) e ator coadjuvante (Alexander Skarsgard). E "The Handmaid's Tale", sobre opressão a mulheres num futuro distópico, ganhou por série dramática e atriz nesse formato (Elisabeth Moss).

Há que notar, porém, que, salvo por "Lady Bird", todas as histórias femininas vencedoras, em cinema e TV, são dirigidas por homens. Sinal de que a guinada está em curso, mas ainda falta para se firmar.

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