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Trump revoga permanência de 200 mil salvadorenhos nos Estados Unidos

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ESTELITA HASS CARAZZAI

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Em meio ao recrudescimento da violência em El Salvador, os Estados Unidos anunciaram nesta segunda (8) o fim da permissão de permanência para milhares de salvadorenhos que vivem no país há pelo menos dez anos, desde os terremotos que devastaram sua terra natal, em 2001.

A decisão do Departamento de Segurança Interna revoga o status de permanência temporária, ou TPS, na sigla em inglês (Temporary Protected Status), para 200 mil salvadorenhos. Essas permissões haviam sido concedidas pelos EUA sob caráter humanitário, depois dos terremotos que atingiram a América Central.

Ao longo dos últimos anos, El Salvador também se tornou um dos países com maior índice de assassinatos no mundo, e integra o chamado "Triângulo do Norte", junto com Honduras e Guatemala. As três nações vivem uma crise de violência, com a atuação de gangues e facções criminosas criadas por imigrantes em Los Angeles e deportadas dos EUA nos anos 1990.

Organizações como a Médicos Sem Fronteiras defendem que o fluxo migratório desses países seja tratado como uma crise humanitária, já que milhares de famílias deixam suas cidades sob ameaça de morte das gangues ou temem que seus filhos sejam recrutados pelos grupos criminosos.

O governo americano, após uma "cuidadosa e extensiva avaliação" sobre a atual situação de El Salvador, concluiu que "as condições originais causadas pelos terremotos de 2001 já não existem" —e, por isso, a permanência temporária dos salvadorenhos deveria ser encerrada.

A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kirstjen Nielsen, destacou que El Salvador recebeu "uma quantia significativa" em ajuda internacional para a reconstrução do país, e que escolas, estradas, casas e hospitais foram erguidos desde então.

Os salvadorenhos terão até o dia 9 de setembro de 2019 para deixar os EUA, ou obter um novo status legal, sob pena de deportação.

Eles não são os primeiros a perder o status de permissão temporária no país norte-americano: em novembro, cerca de 50 mil haitianos tiveram o mesmo programa encerrado. Hondurenhos também estão sob ameaça de perder a permanência.

O presidente Donald Trump tem endurecido a política imigratória dos Estados Unidos, uma de suas principais bandeiras de campanha. Além do muro que promete construir na fronteira com o México, Trump aumentou as prisões de imigrantes ilegais em seu primeiro ano de mandato, proibiu viagens de cidadãos de países de maioria islâmica e revogou um programa que protegia milhares de jovens levados quando crianças ao país, os "dreamers".

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