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Venezuela reúne notícias negativas do regime para provar 'guerra midiática'

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Chancelaria da Venezuela fez um levantamento do que considera notícias negativas sobre o país na imprensa dos EUA e nas principais agências de notícias para provar o que o chavismo chama de guerra midiática.

Assim como atribui a crise financeira e humanitária a uma "guerra econômica" coordenada pelo governo americano, o regime chavista considera que os meios de comunicação fazem uma campanha contra o país caribenho.

O estudo foi revelado na noite de sexta-feira (5) por Nicolás Maduro e reiterado neste sábado (6) pelo ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez. Os critérios para definirem quais são negativas, porém, não foram divulgados.

Segundo as autoridades venezuelanas, os meios de comunicação americanos geraram 3.880 notícias negativas em 2017 sobre a Venezuela -a maior parte, 1.860, durante as manifestações opositoras entre abril e julho.

O maior número foi obtido em julho (531). A líder no ranking chavista é a Bloomberg, com 245 notícias negativas, seguidas pelos jornais "Miami Herald", "The Washington Post" e "The Wall Street Journal".

A partir das pesquisas nos jornais, foi feita uma classificação das notas publicadas vindas das agências. A Reuters foi a mais usada, com 60% de informações negativas, seguida pela Associated Press (31%) e a AFP (9%).

Para Maduro, trata-se de uma "propaganda de guerra" à qual chamou de um bombardeio que "faz parte da guerra midiática contra a Venezuela, e especificamente, contra o governo bolivariano".

Ele ordenou que Rodríguez e o chanceler, Jorge Arreaza, convoquem uma entrevista coletiva "para explicar a verdade da Venezuela sobre a ofensiva midiática dirigida por Washington".

"[A entrevista] se realizará para despertar a consciência no mundo, em nosso povo, gerar consciência, da campanha mundial que derrotamos e que estamos enfrentando. Chamo a defender toda a verdade da Venezuela", declarou.

Para ele, o número de notícias negativas diminuiu devido à instalação da Assembleia Constituinte, convocada pelo mandatário e composta integramente por seus aliados, à qual atribui o que chama de chegada da paz ao país.

Rodríguez reiterou a versão do suposto fracasso da "guerra midiática". "Esses meios de comunicação conseguiram que compatriotas tenham sucumbido ao ódio", disse. "Dedicaram-se a provocar uma situação de angústia e desesperança que não teve nenhum sucesso."

PRESSÃO

A imprensa estrangeira é atacada pelo chavismo desde que Hugo Chávez (1954-2013) tomou posse, em 1999, mas foi quando Maduro chegou ao poder, em 2013, que as reações aos jornalistas se intensificaram.

No ano passado, foram proibidos na Venezuela os canais CNN en Español, El Tiempo TV, RCN e Caracol (Colômbia) e Todo Noticias (Argentina). Os quatro últimos tiveram o sinal desligado por informarem sobre os protestos.

Já a CNN saiu do ar depois que publicou reportagem investigativa acusando diplomatas venezuelanos de cobrarem milhares de dólares para conceder ilegalmente passaportes a cidadãos de países do Oriente Médio.

O esquema seria coordenado pelo vice-presidente, Tareck El Aissami, de origem síria. Também foram deportados 30 jornalistas estrangeiros e 464 repórteres nacionais e internacionais foram presos, segundo o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa.

Em 11 de fevereiro os detidos foram os repórteres brasileiros Leandro Stoliar e Gilzon Souza, da RecordTV, capturados enquanto investigavam denúncias de propina da Odebrecht. Após dois dias de encarceramento, foram expulsos do país.

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