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Fast-food prevalece em áreas pobres de NY

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SILAS MARTÍ

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Em três mordidas, Angela Morales devorou o seu McChicken. "Sempre como no McDonald's, todos os dias. Adoro o sanduíche de frango e as fritas", dizia, limpando a boca com um guardanapo.

Num fim de tarde, essa enfermeira aposentada era uma das quase cem pessoas que lotavam uma franquia da rede de fast-food mais famosa do mundo em Nova York -a neve acumulada na calçada lá fora não parecia ter abalado em nada o movimento ali.

Morales não sabia, mas estava num pântano de comida. O bairro do East Harlem, no norte de Manhattan, é um de pelo menos dez pontos da maior metrópole dos Estados Unidos que os nutricionistas classificaram dessa maneira, uma versão menos problemática de um deserto alimentar.

"Quando falamos em desertos, pensamos num lugar sem água", diz Chantelle Brathwaite, da secretaria da Saúde. "Um pântano é bem o oposto disso. Tem muita água, mas é água suja. Não são lugares sem comida, mas são pontos onde há uma oferta de comida nada saudável muito maior do que as opções saudáveis, como verduras."

No mapa da metrópole, os tais pântanos coincidem com as suas regiões mais pobres, como o Bronx e esse pedaço mais isolado de Manhattan, onde os indicadores sociais e econômicos negativos soterram as estatísticas positivas.

O East Harlem, por exemplo, tem quase um terço de sua população -a esmagadora maioria é hispânica e negra- abaixo da linha da pobreza. Um terço sofre de diabetes e o número de ex-detentos e de pessoas hospitalizadas por abuso de drogas é o triplo da média de Nova York.

Também são bem mais raros aqueles que puderam terminar o ensino médio ou frequentaram a universidade, caso de Minerva Rosado, uma empregada aposentada -e viciada confessa- em fast-food.

"Não como em lugar nenhum a não ser aqui", dizia ela, terminando mais um jantar de batatas fritas e nuggets do McDonald's. "E isso é só o aperitivo, uma coisinha leve."

Mas mesmo que ela quisesse, Rosado teria de pegar um ônibus ou o metrô para encontrar uma opção de restaurante de fast-food com saladas ou pratos mais saudáveis -nos últimos anos uma enxurrada deles domina os bairros mais ricos da metrópole.

Enquanto um quarteirão típico de sua vizinhança, como ocorre em outros pântanos alimentares nova-iorquinos, reúne franquias de seu restaurante preferido e concorrentes como KFC e Burger King, redes que servem saladas orgânicas e comida vegana ficam a algumas paradas de metrô -e muitos dólares a mais na conta- de distância.

O peso no bolso explica ao menos parte do vício em fast-food. Mesmo no Village, um bairro atulhado de restaurantes de todos os tipos, Aleksandr Losev foi ao McDonald's para jantar. "É só pelo dinheiro", ele diz. "Nem a maçã daqui é saudável. Se tivesse tempo e dinheiro, cozinharia em casa, mas em Nova York não há tempo nem para dormir."

Sua conta ali não passou de US$ 4, cerca de R$ 13, a média dos preços do cardápio. No Taco Bell, outra franquia favorita dos americanos, é possível se fartar de calorias pagando metade desse valor. Em comparação, uma saladinha da rede Sweetgreen não custa menos de US$ 10, ou R$ 32, um preço impraticável para trabalhadores como Losev.

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