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Irã lança 'pacote de bondades' para acalmar crise

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo do presidente do Irã, Hasan Rowhani, suspendeu nesta sexta (5) aumentos de tarifas e cortes de gastos estatais para tentar acalmar a tensão provocada pelas manifestações contra o regime islâmico.

O reformista Rowhani é pressionado tanto pelos participantes dos protestos, que deixaram 22 mortos e levaram mais de mil pessoas à prisão, quanto pela ala linha-dura do regime a melhorar as condições econômicas do país.

Segundo o ministro das Cooperativas, Trabalho e Bem-Estar Social, Ali Rabiei, foram cancelados os reajustes de 50% no preço da gasolina e nas tarifas de água, luz e gás, como uma forma de controlar a inflação de mais de 10%.

Na tentativa de atender a outra reivindicação, o aumento da oferta de empregos, as autoridades lançaram um programa para criar cerca de 900 mil vagas até março de 2019 -Rabiei não deu detalhes de como isso se dará.

As medidas foram anunciadas horas após o líder religioso de Teerã, Ahmad Khatami, dizer que o governo deveria levar mais em consideração os problemas dos iranianos, em uma reação dos conservadores ao reformista.

"Existem funcionários que dizem não receber seus salários há meses. Esses problemas precisam ser resolvidos."

Ao mesmo tempo em que defende atuação firme contra opositores, o clérigo disse que "iranianos comuns que foram manipulados por estes baderneiros apoiados pelos EUA deveriam ser julgados com a clemência islâmica".

Os conservadores e o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, criticam Rowhani por não conseguir fazer com que a economia acelerasse com a redução das sanções dos EUA e da União Europeia e o acordo nuclear de 2015.

A assinatura do pacto com as potências levantou a expectativa na cúpula do regime e na população de uma melhora instantânea da economia no país e da qualidade de vida de seus habitantes, o que não aconteceu.

PROTESTOS

Nesta sexta (5), aliados do regime voltaram às ruas do interior para reforçar seu apoio e condenar a suposta intromissão dos EUA e de outros países. A acusação foi repetida pelo chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif.

"Os eternos companheiros de cama [dos EUA] Arábia Saudita e Estado Islâmico, seguindo a ordem de Trump, endossam a violência, a morte e a destruição do Irã. Por que isso não nos surpreende?"

A reclamação de Teerã foi apoiada pelo vice-chanceler russo, Sergei Rybakov. Segundo ele, as acusações têm fundamento, e os EUA "usam qualquer método possível para desestabilizar governos dos quais não gostam".

O Conselho de Segurança da ONU se reuniu para discutir a crise do Irã, mas o encontro não havia terminado até a conclusão desta edição.

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