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Trump tenta barrar livro que expõe governo

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ESTELITA HASS CARAZZAI

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Em uma carta enviada por um de seus advogados nesta quinta (4), o presidente Donald Trump pediu à editora responsável pelo livro "Fire and Fury" (fogo e fúria, em tradução literal) que "suspenda e desista imediatamente da publicação e da disseminação" da obra, a ser lançada na próxima semana, sob pena de uma ação legal.

Escrito pelo jornalista Michael Wolff, o livro sobre os bastidores da Casa Branca no governo Trump teve seus primeiros trechos divulgados nesta quarta (3).

Os excertos provocaram a ira do presidente e o rompimento com um de seus principais aliados, o ex-estrategista Steve Bannon.

A carta enviada nesta quinta (4) à editora Henry Holt & Co e ao autor do livro, subscrita pelo advogado Charles Harder, argumenta que a obra tem conteúdo difamatório e malicioso. "É um pedido muito incomum para um presidente", afirma a professora Susan Low Bloch, da faculdade de direito de Georgetown, em Washington.

O livro de Wolff, que afirma ter feito cerca de 200 entrevistas com membros do governo Trump, sustenta que o republicano não pensava que iria vencer, que pretendia usar a campanha para ganhar fama e que avaliava sua equipe como "repleta de perdedores".

Na obra, Bannon afirma ao autor que a reunião do filho de Trump com uma informante russa durante a campanha, em busca de informações sobre a adversária Hillary Clinton, foi antipatriótica -também refere-se a ela como "uma traição".

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, disse que o livro está repleto de "mentiras risíveis" e "fofocas de tabloide". Além de soltar uma nota criticando severamente o ex-assessor, Trump iniciou um cerco contra possíveis vazamentos de dentro do governo ao determinar, na quinta, que nenhum celular pessoal seja usado na Casa Branca.

A ameaça contra "Fury and Fire" levanta o debate sobre uma eventual violação à Primeira Emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão.

PRECEDENTES

Harder, o defensor do presidente, é dos mais célebres advogados do país para mídia e difamação. Seu caso mais notório levou ao fechamento do site Gawker, em 2016, após a publicação de um vídeo do ex-lutador Hulk Hogan em cenas de sexo.

O advogado argumentou que houve invasão de privacidade e violação dos direitos de imagem de Hogan, numa defesa que venceu a alegação de interesse público feita pela publicação.

No início do ano, Harder também defendeu a primeira-dama, Melania Trump, contra o tabloide "Daily Mail", que havia publicado erroneamente que ela atuara como acompanhante de luxo antes de casar com Trump. O jornal foi condenado a pagar uma indenização milionária.

No caso do livro de Wolff, porém, a professora Low Bloch, especialista em direito constitucional, diz que a chance de um tribunal suspender a publicação é "quase inexistente". Para isso ocorrer, a defesa teria que demonstrar que as informações da obra são falsas e que foram veiculadas com malícia ou intenção criminosa.

Sendo o presidente uma figura pública, a caracterização da difamação pelos tribunais é muito mais criteriosa, a fim de proteger a Primeira Emenda. Mesmo uma eventual pena de indenização em processo criminal é pouco provável, diz Low Bloch.

Na noite de quarta (3), o defensor do presidente já havia acionado o próprio Bannon, via carta extrajudicial. Harder alega que o ex-assessor violou acordos de confidencialidade e que está sujeito a ações judiciais.

A editora Henry Holt & Co e o autor do livro não comentaram o pedido de Trump. Já Bannon afirmou que "Trump é um grande homem" e que irá apoiá-lo "dia após dia".

O lançamento do livro deve ocorrer na próxima terça (9). A obra era a mais vendida da Amazon nesta quinta (4).

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