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Rebelião deixa ao menos nove mortos e 14 feridos em presídio de Goiás

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CLEOMAR ALMEIDA

GOIÂNIA, GO (FOLHAPRESS) - Ao menos nove presos foram mortos e 14 ficaram feridos durante uma rebelião, na tarde desta segunda-feira (1º), na colônia agroindustrial do regime semiaberto do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital. Pelo menos uma das vítimas foi decapitada.

Outros 106 presos fugiram. Desse total, 29 foram recapturados pelas forças de segurança e outros 77 continuavam foragidos. Além deles, mais 127 saíram da unidade no motim, mas retornaram ao local após o término do conflito.

As informações de mortos, feridos e fugas são da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária de Goiás. O conflito, que foi controlado no final desta tarde, ocorreu após presos de uma ala invadirem outro pavimento da colônia e iniciarem uma troca de tiros e colocarem fogo em colchões.

De acordo com agentes prisionais ouvidos pela reportagem, presos de uma ala tinham rixa antiga com os de outro pavimento por causa de comando de crimes.

Vísceras de um dos presos foram retiradas do corpo dele e penduradas no arame no alto do muro da unidade. Telhados foram destruídos durante a rebelião, conforme mostram imagens cedidas por agentes prisionais.

O Corpo de Bombeiros enviou cinco equipes para combater o incêndio e encaminhar os feridos ao Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia (Huapa), que ainda não informou o estado de saúde deles. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) designou três ambulâncias e duas motos de socorro para atender ao local.

Equipes do Gope (Grupo de Operações Penitenciárias Especiais) e do Batalhão de Choque da Polícia Militar retomaram o controle da unidade no final da tarde desta segunda.

O Graer (Grupo de Radiopatrulha Aérea) também foi chamado para reforçar a segurança. No entanto, agentes prisionais contam que disparos de arma de fogo foram dados do helicóptero do Graer em direção à unidade.

Desespero, aflição e choro tomaram conta dos familiares de presos. Eles correram para a colônia agroindustrial do semiaberto assim que ficaram sabendo da rebelião. Alguns ainda estão desesperados por informações de seus parentes.

A reportagem tentou ouvir o secretário de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária, Ricardo Balestreri, e o superintendente executivo de Administração Penitenciária, Newton Nery Castilho, mas não obteve resposta.

O presidente da Aspego (Associação dos Servidores do Sistema Prisional do Estado de Goiás), Jorimar Bastos, diz que, durante a rebelião, a unidade tinha cinco agentes de plantão, número que foi reforçado por causa do final de ano. Segundo ele, normalmente, por plantão, apenas três agentes trabalham na segurança da unidade do regime semiaberto, que tem 900 presos. "É uma barbárie", afirmou ele.

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