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Maior onda de protestos no Irã em nove anos deixa ao menos 13 mortos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ao menos 13 pessoas morreram em cinco dias de protestos contra o governo iraniano, segundo a mídia estatal e autoridades. É a maior onda de manifestações no Irã desde 2009, quando milhões foram às ruas protestar contra a reeleição do então presidente Mahmoud Ahmadinejad. A polícia já deteve 200 pessoas desde o início dos protestos.

Dez pessoas morreram durante protestos de rua no Irã no domingo (31), em várias cidades, informou nesta segunda (1º) a TV estatal iraniana. Na noite de sábado (30), duas pessoas haviam sido mortas a tiros na cidade de Dorud, quando os manifestantes atacaram bancos e edifícios do governo e queimaram uma moto da polícia.

Nesta segunda (1º), o porta-voz da polícia informou que um policial foi morto a tiros durante as manifestações, a primeira morte registrada entre as forças de segurança. Segundo ele, outros três policiais ficaram feridos.

O presidente Hasan Rowhani, reeleito em maio do ano passado, minimizou os protestos em fala nesta segunda (1º) ao Parlamento. "Nossa grande nação já testemunhou incidentes similares no passado e lidou confortavelmente com eles. Isso não é nada."

No domingo (31), Rowhani havia reconhecido o descontentamento da população, mas o governo avisou que não hesitaria em punir quem violasse as leis.

Rowhani dissera, em reunião com seu gabinete, que os iranianos têm o direito de protestar e de criticar o governo, mas que suas ações não podem levar à violência.

"Aqueles que destroem a propriedade pública, criam desordem e agem em ilegalidade devem responder por suas ações e pagar o preço, agiremos contra a violência e contra aqueles que provocam medo e terror", disse o ministro do Interior, Abdolreza Rahmani Fazli.

Segundo a TV estatal, seis pessoas morreram na cidade de Tuyserkan (a 295 km da capital, Teerã) e outros três foram mortos em Shahinshahr (a 315 km de Teerã). A TV não informou de onde é a 10ª vítima.

"Alguns manifestantes armados tentaram assumir estações de polícia e bases militares, mas enfrentaram séria resistência das forças de segurança", afirmou a televisão, sem dizer onde os ataques ocorreram.

A emissora exibia imagens de edifícios em chamas, uma equipe de ambulâncias tentando auxiliar uma pessoa ferida em meio a uma multidão de pessoas gritando e um caminhão de bombeiros que parecia ter sido atacado e queimado.

Há relatos de protestos também nas cidades de Sanandaj, Kermanshah, Chabahar e Ilam.

No domingo, o Irã bloqueou o acesso ao Instagram e ao popular aplicativo de mensagens Telegram, usado pelos ativistas para se organizarem. As autoridades acusam grupos "contrarrevolucionários" estabelecidos fora do país de recorrer às redes sociais, especialmente o Telegram, para convocar a população a ir às ruas e a usar coquetéis molotov e armas de fogo

Em Teerã, a polícia disparou canhões de água contra os manifestantes na praça Ferdowsi. Alguns gritavam "Vida longa ao Xá Reza".

O Irã é um importante produtor de petróleo da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), mas as frustrações cresceram internamente com a nação profundamente envolvida na Síria e no Iraque, como parte de uma batalha por influência regional com a rival Arábia Saudita. Os sauditas são sunitas, ramo majoritário do islã, enquanto os iranianos são xiitas.

Quem se opõe ao governo do presidente Rowhani critica o desemprego, a escassez de recursos, o alto custo de vida e o governo "ditador". Já quem é pró-governo bradava contra os EUA e responsabiliza as sanções internacionais impostas ao Irã pelas mazelas enfrentadas pela população. No sábado, um protesto a favor de Rowhani reuniu 4.000 pessoas em Teerã.

Alguns manifestantes convocaram o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, a renunciar e se posicionar contra um governo que descreveram como de ladrões.

Outros vídeos mostravam pessoas em Teerã entoando "Abaixo o ditador", em uma aparente referência a Khamenei. Manifestantes em Khorramabad, no oeste do Irã, gritavam "Khamenei, vergonha de você, deixe o país sozinho". Até agora, Khamenei não se pronunciou sobre os protestos.

Já Shirin Ebadi, vencedora do Nobel da Paz, afirmou neste domingo, em entrevista ao jornal "La Repubblica", que as manifestações são apenas "o início de um grande movimento".

'HORA DE MUDANÇA'

Nesta segunda-feira, o presidente americano, Donald Trump, voltou a se manifestar sobre a onda de protestos no Irã. Em uma rede social, Trump escreveu: "O grande povo iraniano foi reprimido durante muitos anos. Tem fome de comida e de liberdade. Assim como os direitos humanos, a riqueza do Irã está sendo confiscada. É hora de mudança!".

No domingo, o americano já havia criticado o governo iraniano por "inúmeras violações dos direitos humanos em horas" e disse que o regime "agora bloqueou a internet para que os manifestantes pacíficos não possam se comunicar. Não é bom". Trump havia dito ainda que os EUA estavam "assistindo de perto" os acontecimentos no Irã.

O governo iraniano, que tinha proibido as emissoras de TV de exibirem os protestos, contra-atacou. O ministro do Exterior, Bahram Ghasemi, disse que "o povo iraniano não dá crédito às observações enganosas e oportunistas de funcionários dos EUA ou do sr. Trump".

Rowhani também rebateu: "Aqueles que chamam os iranianos de terroristas não têm porquê simpatizar com nossa nação".

Também nesta segunda, o ministro da Inteligência de Israel incentivou os protestos, mas disse que a política do país não se envolveria em assuntos internos do Irã.

Analistas dizem que os líderes iranianos acreditam que podem contar com o apoio de gerações da população participantes da Revolução Islâmica de 1979, que teriam um compromisso ideológico com o país e reconheceriam ganhos econômicos desde então.

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Edhucca

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