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Com PM parada, Exército chega ao RN, e Forças Armadas assumem a operação

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Em meio a uma paralisação de policiais no Rio Grande do Norte e à escalada nos índices de violência, as Forças Armadas começaram a atuar nas ruas da capital, Natal, nesta sexta-feira (29). Segundo o ministério da Defesa, 720 homens patrulharam pontos críticos da cidade durante a noite. No total, 2.000 militares serão enviados até este domingo (31), conforme anunciado pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, na última sexta.

Os militares atuarão, sobretudo, na região metropolitana de Natal e em Mossoró. Caso necessário, as tropas podem ser deslocadas para outras cidades do Estado. A preocupação do governo se deve à proximidade do Ano Novo, quando aumenta o fluxo de turistas na região.

Diante disso, o governador transferiu às Forças Armadas o controle da operação, que está prevista para durar até dia 12 de janeiro, podendo ser estendida. Assim como vem acontecendo desde o início da paralisação, houve registros de tiroteios e roubos na cidade, apesar da presença das Forças Armadas nas ruas.

Segundo o Ministério da Defesa, militares e guardas municipais foram recebidos a tiros na favela do Mosquito, na zona oeste de Natal, e deixaram três suspeitos feridos ao revidar. A favela é palco de disputa entre as facções Primeiro Comando da Capital e Sindicato do Crime, por isso é vista pelas forças de segurança como uma das regiões mais críticas da cidade.

Nas últimas semanas, os principais municípios do Estado viveram uma onda de arrastões, roubos e saques. Cinco pessoas haviam sido mortas por arma de fogo até as 16h de sexta. Sete foram mortas na quinta. Os números estão dentro da média: entre e janeiro e outubro, o Estado registrou 6,6 homicídios por dia.

Jungmann está em Natal para participar do planejamento das ações. O clima de insegurança fez algumas cidades reverem a programação do Réveillon. Em Parnamirim, onde fica a badalada praia de Pirangi, foram cancelados os shows que seriam realizados para marcar a virada do ano. Foi mantida apenas a realização de uma missa e da queima de fogos. "Por medida de segurança, achamos melhor cancelar as apresentações musicais. A segurança da população vem em primeiro lugar" disse o prefeito Rosano Taveira (PRB).

'SITUAÇÕES DIFÍCEIS'

Ao todo, cerca de 8.000 policiais e 500 bombeiros militares estão sem trabalhar. Na quarta, o grupo aprovou em assembleia a manutenção do aquartelamento. A paralisação foi iniciada após o governo atrasar os salários de novembro e não pagar o 13º salário dos policiais e demais servidores estaduais. Até esta terça, o governo do Estado pagou o mês de novembro apenas para os policiais com rendimentos de até R$ 3.000, deixando 33% da tropa sem salário.

Além do atraso dos salários, os policiais também reclamam das condições de trabalho. Para retomar o patrulhamento das ruas, eles exigem que o governo reequipe os quartéis com carros e equipamentos de proteção individual como armas, munições e coletes à prova de bala.

Presidente da Associação de Subtenentes e Sargentos Policiais Militares e Bombeiros Militares do Rio Grande do Norte, Eliabe Marques afirma que não houve avanços nas negociações. "Com a vinda do Exército, o governo mostra que está mais interessado em reprimir as forças policiais do que em resolver os problemas da categoria", diz.

Em uma tentativa de encerrar a paralisação, o ministro Raul Jungmann fez um apelo para que os policiais militares voltem ao trabalho, dizendo que o governo entende as "situações difíceis", mas que "acima disso há um valor maior". "Entendemos as situações difíceis, entendemos a falta de salário e de equipamentos. Mas acima disso há um valor maior, que é defender a vida", disse Jungmann. "Faço um apelo para que retomem aquilo que juraram. Até porque mais dia, menos dia, essa situação aflitiva que vivem será resolvida. Mas uma vida não tem volta."

Ele também fez críticas à paralisação. "Está na hora de termos discussão e clareza em uma decisão se forças policiais podem ou não fazer greve. Essa é uma discussão inadiável. Pela lei, não podem, mas na prática fazem, e colocam a comunidade em situação de vulnerabilidade e medo. Entendemos que a lei é para ser cumprida", disse. Essa é a terceira vez neste ano que o governo federal envia reforço para a segurança do Rio Grande do Norte.

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