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Exilado, líder catalão diz que voltará a Barcelona

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DIOGO BERCITO, ENVIADO ESPECIAL

BARCELONA, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Um dia depois de o bloco separatista obter maioria no Parlamento catalão, o fortalecido ex-presidente da região Carles Puigdemont discursou nesta sexta-feira (22) em Bruxelas --onde está exilado desde outubro-- e desafiou o governo central espanhol, por sua vez enfraquecido.

Acusado pela Justiça de rebelião e de sublevação por declarar a independência da Catalunha, Puigdemont afirmou que voltará a Barcelona caso seja reeleito pelos deputados e tenha garantias legais. "Exijo que nos respeitem", disse. "Somos o governo legítimo."

Sua vitória abre a segunda temporada da crise catalã, com a promessa de duros episódios. Há outros deputados foragidos ou detidos, incluindo o líder da sigla Esquerda Republicana, terceira mais votada na quinta. Não está claro como e se vão legislar.

"A república já está proclamada e temos um mandato", afirmou Puigdemont.

Ele disse estar aberto a uma reunião sem precondições com o primeiro-ministro espanhol, o conservador Mariano Rajoy. Sugeriu inclusive que se reúnam em Bruxelas ou outra cidade europeia, pois o ex-presidente catalão poderia ser detido caso regressasse à Espanha.

Rajoy discursou também nesta sexta. Questionado sobre a possibilidade de se reunir com Puigdemont fora do país, disse bruscamente a repórteres: "Se eu tiver que me sentar com alguém, será com quem ganhou as eleições". Ele se referia ao partido Cidadãos, de centro-direita, sigla que recebeu mais votos, sem ter porém assentos suficientes para governar sozinha.

Puigdemont tampouco detém sozinho a maioria do Parlamento nem lidera a força mais votada na Catalunha, mas deve se aliar a outros movimentos separatistas, formando um governo.

O Juntos pela Catalunha, de Puigdemont, terá 34 deputados e a Esquerda Republicana, 32. Já a Candidatura de Unidade Popular, de extrema esquerda, angariou 4 assentos --o suficiente para o trio separatista somar 70 cadeiras em um Parlamento com o total de 135.

Ainda que, ao que tudo indica, o governo vá ser capitaneado pelos separatistas, a vitória individual foi do partido de centro-direita Cidadãos, que conquistou 37 assentos. O Partido Socialista da Catalunha obteve 17, e os Comuns, de esquerda, 8. O Partido Popular, de Rajoy, conseguiu 3 assentos.

O premiê espanhol tinha convocado essas eleições regionais com a expectativa de desbancar os separatistas e de pôr fim à crise catalã, detonada pelo plebiscito separatista de 1° de outubro e pela posterior declaração unilateral de independência.

Sua aposta, no entanto, não vingou --pelo contrário. A resiliência do bloco separatista liderado por Puigdemont, apoiado pelas urnas, pode ser a mais grave derrota política de Rajoy. "Não podemos estar satisfeitos com esse resultado", reconheceu o primeiro-ministro.

Rajoy deve se preocupar não só com a maioria separatista mas também com a vitória do Cidadãos, que disputa com o Partido Popular o eleitorado conservador espanhol. Hoje, ele só governa graças ao apoio do Cidadãos, que o vem ofuscando.

PLEBISCITO

A Catalunha é uma região espanhola com alguma autonomia. Possui Parlamento e força policial próprios, os Mossos d'Esquadra. O fervor separatista, no entanto, tem ganhado força desde 2006 e culminou no plebiscito independentista deste ano.

A consulta,considerada ilegal por Madri, teve baixo comparecimento: só 43% do eleitorado catalão apareceu para votar. Na ocasião, os votos pelo "sim" representaram 90% do total. Embates entre polícia e eleitores deixaram 900 feridos, disse o governo catalão --um número contestado pela autoridade central.

Desafiando o Estado espanhol, o Parlamento catalão declarou sua independência de maneira unilateral em 27 de outubro. Em resposta, Rajoy dissolveu o governo e passou a intervir na região, recorrendo ao Artigo 155 da Constituição. Foi quando convocou estas eleições.

Apesar da vitória do bloco separatista, a formação do governo propriamente dito ainda pode levar algum tempo. A previsão é de que a nova legislatura inicie seus trabalhos até 23 de janeiro. Somente após essa data os deputados poderiam eleger o presidente catalão --ao que indica, Puigdemont.

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