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Oriente Médio crê que EUA ganharam mais influência na região

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Um estudo publicado na segunda-feira (11), cinco dias após os EUA reconhecerem Jerusalém como capital de Israel, mostra que a maior parte dos moradores do Oriente Médio e do norte da África creem que o governo americano tem mais influência na região do que tinha há dez anos.

Questionados sobre o peso da política americana, 62% disseram que é maior hoje. Habitantes dos cinco países analisados —Israel, Jordânia, Líbano, Tunísia e Turquia— também acreditam que Rússia (64%) e Turquia (63%) ganharam relevância.

A pesquisa foi feita pelo Pew Research Center com 6.204 pessoas de 27 de fevereiro a 25 de abril. Os valores são a mediana entre os países, e a margem de erro varia entre cada um deles.

A importância dada aos EUA está relacionada a seu papel histórico no conflito entre israelenses e palestinos, uma disputa agravada nestes dias após a declaração de Trump sobre Jerusalém ser a capital israelense. Sua fala motivou protestos em países de maioria árabe, como o Líbano, e muçulamanos.

Mas os Estados Unidos se envolveram em diversos outros países da região nesta década, como a Líbia e o Iêmen, esse último intensamente bombardeado por drones (aviões não tripulados).

A Rússia, por sua vez, teve um papel fundamental no conflito sírio. Moscou é o principal aliado do ditador Bashar al-Assad e seu apoio, tanto diplomático quanto militar, garantiu a sobrevivência do regime entre embates com rebeldes e terroristas. Vladimir Putin visitou a Síria na segunda, antes de rumar ao Egito e à Turquia. É em parte por essas intervenções que os dois países são mal vistos na região. Segundo o estudo Pew, só 27% enxergam os EUA de maneira positiva. Já esse valor para a Rússia é de 35%.

Mas EUA e Rússia não são os únicos rejeitados pelas populações do Oriente Médio e do norte da África. O público também deu notas ruins para os líderes de seus próprios países e dos países vizinhos, com apenas um terço aprovando o presidente egípcio e o rei saudita, por exemplo.

O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, aliado de Trump, recebeu uma avaliação bastante ruim. Na Tunísia e na Turquia, apenas 7% têm uma visão favorável dele, enquanto o valor cai para 1% na Jordânia e chega a 0% no Líbano —país árabe com que Israel travou uma dura guerra em 2006.

Netanyahu tem, assim, pior fama do que o ditador sírio Bashar al-Assad, que aparece com 12% de opiniões positivas, apesar do violento confronto que assola seu país desde março de 2011.

A pesquisa Pew também perguntou aos moradores da região qual é sua previsão para a guerra síria, e encontrou pouco otimismo. Apenas 26% esperam que o conflito seja resolvido ainda durante 2018, enquanto 29% deles acreditam que vai prosseguir por mais de cinco anos.

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