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Fundador do Comando Vermelho que agora é pastor participa de cultos no Paraná

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Aldidudima Salles ajudou fundar o Comando Vermelho, mas se converteu e é evangélico há 32 anos: do pó para a fé - Foto: Tanosite​
Aldidudima Salles ajudou fundar o Comando Vermelho, mas se converteu e é evangélico há 32 anos: do pó para a fé - Foto: Tanosite​

Quem vê o pastor Aldidudima Salles, de 53, pregando o evangelho sem conhecê-lo, jamais poderia imaginar estar frente a frente com um dos homens mais temidos do País entre as décadas de 1980 e 1990. ‘Ligeirinho’ - como foi ‘batizado’ no submundo do crime - é um dos fundadores do Comando Vermelho (CV), organização criminosa que no período chegou a movimentar cerca de R$ 50 milhões por mês com o tráfico de drogas no Brasil. 

Convertido há 32 anos, Salles contou ao portal Tanosite, de Santo Antônio da Platina (norte do Paraná) que sua missão hoje é resgatar pessoas através da palavra de Deus, assim como aconteceu com ele no dia 28 de março de 1986, quando entrou em uma igreja evangélica na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, para assassinar o pastor, que segundo ele, seria o responsável pela queda no faturamento da organização com a venda de entorpecentes naquela comunidade. 

Natural do Ceará e filho de militar, Salles chegou ao Rio de Janeiro criança. Aos 13 anos ele praticou seu primeiro crime, um latrocínio na favela da Rocinha, na Zona Sul da cidade. Recolhido ao reformatório de menores infratores, ‘Ligeirinho’ [como já era conhecido no meio policial] foi convidado a integrar a organização criminosa que viria se tornar a maior e mais temida no Brasil, o Comando Vermelho.

Aos 14 anos, ocupando a posição de segundo homem no comando da organização criminosa, ‘Ligeirinho’ delegava 46 homens na comunidade da Rocinha. Com 16 anos, ele tinha seis mil traficantes sob sua tutela. Foi quando viajou a Colômbia pelo Comando Vermelho para especializar-se no tráfico internacional de drogas com Pablo Escobar, chefe do Cartel de Medellín, de quem se tornou amigo. 

Segundo Salles, o Comando Vermelho chegou a movimentar cerca de R$ 50 milhões por mês com a venda de drogas. Para esquentar o dinheiro que recebia com o narcotráfico ele investia em imóveis, e chegou a ter 753 no total, 15 deles, mansões em Angra dos Reis, avaliada em R$ 10 milhões cada.

Em 31 de dezembro de 1985, ‘Ligeirinho’ participou da fuga mais ousada da história do sistema carcerário brasileiro. Ele estava no helicóptero que resgatou no presídio Cândido Mendes, na Ilha Grande, José dos Carlos Reis Encina, vulgo Escadinha, fundador do Comando Vermelho. “Lembro-me com se fosse hoje. O helicóptero que utilizamos na fuga do Escadinha foi doado ao Comando Vermelho por um governador”, revela sem citar nomes.

76 assassinatos
Autor de 76 assassinatos, Salles conta que matava sorrindo, e que agia sem piedade contra suas vítimas. “Eu não tinha o capeta no corpo, eu entrava no capeta, mas me libertei!”, garante. 

Ele também foi traficante internacional de crianças. Durante 45 dias se passou por médico em um hospital do Rio de Janeiro, onde escolhia friamente suas vítimas. “Eu escolhia a criança, raptava e a mandava para o exterior. Mas não era para retirar órgãos, era para adoção, 19 no total”, lembra. 

No dia 28 de março de 1986, Salles decidiu assassinar um pastor e fieis de uma igreja evangélica de sua comunidade por desobedecerem a uma ordem do Comando Vermelho. “Eu odiava os evangélicos. Os usuários de droga daquela localidade estavam se convertendo, e consequentemente as vendas no ponto de tráfico em frente à igreja foram prejudicadas. Mandamos um recado ao pastor para que fechasse a igreja, caso contrário, ele e quem estivesse no culto na data marcada seriam mortos.”, explica.

Foi nesse dia que ele se converteu. “Eu e um grupo de traficantes entramos na igreja para cumprir a promessa de assassinar quem estivesse ali. Porém, o homem que deveria atirar contra o pastor começou a chorar e me disse que algo estranho estava acontecendo com ele. As pessoas continuaram orando com o pastor, e eu também fui tocado naquele momento. Senti a presença de Deus!”, revela. “Então entreguei meu revólver ao pastor, e decidi que jamais voltaria a cometer crimes. Fiquei oito anos fora do País por receber ameaças de morte, e há 32 anos minha missão é resgatar pessoas através da palavra de Deus!”, concluiu. 

Condenado a 300 anos de prisão
Aldidudima Salles foi condenado a 300 anos e seis meses de prisão. Ele cumpriu 10 anos, dois meses e três dias da pena máxima existente no País (30 anos), e foi beneficiado com indulto presidencial, na década de 1990, no governo Fenando Henrique Cardoso (PSDB). Segundo Salles, por solicitação de uma ex-governadora que diz ter sido curada de um câncer após oração feita por ele.

Palestras

Desde que se tornou pastor, Salles vive da comercialização de DVS em palestras que promove no País e no exterior, onde conta sua trajetória de vida. Ele já passou por 32 países e acredita ter convertido mais de 10 mil pessoas ao longo desses 32 anos de evangelização, entre elas um de seus 14 filhos, que também integrou o Comando Vermelho.


 Com informações do portal Tanosite

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Edhucca

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