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Alckmin derruba verba antienchente em SP

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ARTUR RODRIGUES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo Geraldo Alckmin (PSDB) entrará no terceiro verão seguido com gastos muito abaixo do previsto para prevenir as enchentes no Estado de São Paulo.

Desde que iniciou seu novo mandato, em 2015, os valores despendidos com drenagem urbana somam só 38% do orçado inicialmente -R$ 860 milhões, de R$ 2,25 bilhões.

Os gastos se referem à dotação orçamentária voltada para "ampliar a capacidade para evitar enchentes, principalmente em áreas metropolitanas". As obras planejadas incluem construção de piscinões, sistemas de drenagem e aumento da absorção do rio Tietê (veja quadro).

Em 2017 especificamente, a gestão tucana só usou 43% do previsto por enquanto.

O baixo índice de execução na área também ocorre na gestão do prefeito João Doria (PSDB), afilhado político do governador, que gastou 26% do valor orçado para esse fim.

Assim como Doria, Alckmin justifica atrasos em obras devido à falta de repasses, à crise e a questões burocráticas.

No fim de novembro, um plano anunciado pelos governo estadual e municipal focava obras com entrega prevista para depois do verão.

A prefeitura prevê chuvas dentro da média histórica nos próximos meses: 256,5 mm em janeiro, 219,2 mm em fevereiro e 177,2 mm em março.

GALOCHAS

Uma das obras que ainda não beneficiarão a população neste verão é a construção de um pôlder na Vila Itaim, no extremo leste da capital paulista, que custará R$ 98 milhões, incluindo as desapropriações necessárias. Às margens do rio Tietê, a Vila Itaim é tomada pelas águas todos os anos. O fim do alagamento, em alguns casos, demora vários dias.

O pôlder é uma estrutura hidráulica --composta por muro de contenção, reservatório, dutos e bombas-- para evitar que o rio transborde.

Em 2013, prefeitura e governo anunciaram um convênio para realização da obra que acabaria com as enchentes na região. No entanto, as obras só serão iniciadas agora, com prazo de 16 meses ou dois verões para acabar.

Na última terça (5), o governo começou a demolir casas na área onde será feito o pôlder, que havia sido invadida.

"Não estamos botando muita fé nesta obra. Há vários anos estão prometendo e até agora não fizeram nada", afirma a comerciante Marli Almeida da Silva, 56.

Há 40 anos no bairro, Marli e a vizinhança já incorporaram as enchentes ao seu modo de vida. "Todo mundo aqui tem um par de galochas", diz ela, que todos os anos vê a água invadir sua loja, apesar de a construção ser um metro acima do nível da rua.

Nesta quinta-feira (7), parte da casa de Marli e a rua dela, Aramaçá, alagaram de novo. "Tive que correr tirar o carro da rua", disse ela.

A desempregada Jane Cristina da Silva, 42, diz que basta uma chuva mediana de 15 minutos para que a água esteja até as canelas de quem anda pela rua. Como esse problema é frequente, os vizinhos já se organizaram para tentar minimizar os danos.

TIETÊ

Uma das principais apostas do Estado é a proposta de criação do Parque Várzeas do Tietê, um parque linear com 75 km de extensão ao longo do rio. A ideia é restabelecer a função das várzeas para amortecimento de cheias.

O governo diz já ter feito canalizações de córregos, construído um piscinão e recuperado matas ciliares ao longo do rio. No entanto, segundo levantamento da reportagem, foram investidos R$ 223 milhões (39%) de R$ 567 milhões previstos de 2015 a 2017.

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