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Morre, aos 92 anos, o artista plástico pernambucano Darel Valença Lins

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O artista plástico pernambucano Darel Valença Lins morreu na madrugada desta quinta-feira (7), no Rio de Janeiro. Ele completaria 93 anos no sábado (9).

A causa da morte não foi informada, mas segundo amigos do artista, ele havia sofrido um infarto há cerca de três meses e sua saúde estava frágil desde então, sendo acompanhado por uma curadora em seu apartamento.

O artista plástico deixa a esposa, Maisa Byington, e dois filhos: André Lins e Mariana, que mora no Canadá.

Desenhista, ilustrador e pintor, Lins nasceu em Palmares (PE), em 1924. Começou a carreira fazendo desenhos técnicos na Usina Catende, onde trabalhava quando era adolescente. Em 1953 se tornou ilustrador do jornal "Última Hora", e colaborou ao longo dos anos com outros veículos, como o jornal "Diário de Notícias" e a revista "Manchete".

Lecinou litografia em universidades do Rio de Janeiro e São Paulo entre as décadas de 1950 e 1960. Entre 1968 e 1969, ele realizou painéis como os do Palácio dos Arcos, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília. Em 1982, recebeu o prêmio Abril de Jornalismo pelo melhor conjunto de ilustrações para a revista Playboy.

Lins ilustrou diversos livros, como "Memórias de um Sargento de Milícias" (1957), de Manuel Antônio de Almeida; "Poranduba Amazonense" (1961), de Barbosa Rodrigues; "O Beijo no Asfalto" (1961), de Nelson Rodrigues, "São Bernardo" (1992), de Graciliano Ramos; e "A Polaquinha" (2002), de Dalton Trevisan.

Ele se mudou para o Rio de Janeiro em 1946, onde morava e mantinha seu ateliê desde então. Entre 1957 e 1960 morou na Itália, após ganhar o prêmio de viagem do Salão Nacional de Arte Moderna (SNAM) do Rio de Janeiro. Durante a viagem, estudou litografia colorida e trouxe a nova técnica ao Brasil.

Seu trabalho foi tema do documentário "Mais do que Eu Possa me Reconhecer" (2015), do cineasta Allan Ribeiro, exibido na 39ª Mostra de São Paulo. Filmado no apartamento do artista, mostra sua rotina intensa de produção de gravuras e sua nova dedicação: a videoarte.

Uma última retrospectiva do artista passou pela Caixa Cultural do Rio de Janeiro, de Brasília e de São Paulo, entre 2013 e 2014. Sob curadoria de Sergio Pizoli, "Darel, por trás da aparência" reuniu desenhos e ilustrações do início da carreira do artista às produções mais recentes.

Lins tem uma extensa produção e continuou produzindo por anos. "Até um ano atrás ele desenhava todos os dias. Ele enfrentava todas as coisas da vida com muita tranquilidade, mas depois dessa ameaça de infarto, ficou temeroso", diz Sergio Pizoli, amigo do artista e curador de suas obras.

Pizoli está fazendo um levantamento do acervo de Lins, no Rio de Janeiro, e busca museus para abrigar novas retrospectivas do artista. "Ele queria muito, ainda em vida, fazer uma mostra em Recife, para homenagear seu local de origem", diz.

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