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Trump mudará embaixada para Jerusalém

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos EUA, Donald Trump, telefonou nesta terça (5) para o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e para o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, a fim de informá-lo que a embaixada americana será transferida de Tel Aviv para Jerusalém. O anúncio oficial é esperado para esta a quarta-feira (6).

A medida representa uma mudança radical na política americana para o Oriente Médio e põe em xeque a capacidade de Washington de mediar negociações entre palestinos e israelenses.

A data da transferência ainda não foi revelada, mas a Casa Branca confirmou a intenção de fazê-lo em breve.

"O presidente Abbas alertou [o presidente Trump no telefonema] para as consequências perigosas de tal decisão sobre o processo de paz e para a paz, a segurança e a estabilidade da região e do mundo", afirmou o porta-voz do líder palestino, Nabil Abu Rdainah, em nota.

Mais tarde, Abbas fez um apelo para que o papa Francisco e os líderes da Rússia, da França e da Jordânia tentem dissuadir Trump.

O rei Abdullah, da Jordânia, disse também ter sido informado da transferência por um telefonema e afirmou ter dito a Trump que a decisão teria "repercussões perigosas na estabilidade e na segurança da região", obstruindo o esforço americano para retomar as negociações de paz.

Além disso, assinalou, há risco de inflamar as comunidades cristã e islâmica.

Antes, a indefinição americana sobre a mudança de sua embaixada em Israel havia levado diversos líderes muçulmanos a se manifestarem contra a mudança.

Os governos saudita e turco e a Liga Árabe afirmaram que a medida poderia dificultar um acordo entre israelenses e palestinos e aumentar o risco para militares e diplomatas americanos na região --temores aventados também pelo alto escalão do governo Trump, incluindo o secretário de Estado, Rex Tillerson, e o da Defesa, Jim Mattis.

PROMESSA

A mudança da embaixada para Jerusalém foi uma promessa de Trump na campanha presidencial, em 2016. Diante da oposição no próprio gabinete, contudo, a Casa Branca estuda como fazer a mudança e conter danos.

Israel conquistou a porção Oriental de Jerusalém em 1967, anexando-a em seguida e declarando toda a cidade como sua capital. A medida não foi reconhecida nem pelos EUA nem pela comunidade internacional e a maior parte dos países mantém suas embaixadas em Tel Aviv.

Os palestinos, por sua vez, reivindicam que Jerusalém Oriental seja a capital de seu futuro Estado.

A Liga Árabe convocou uma reunião de emergência sobre o assunto. O secretário-geral da organização, Ahmed Abul Gheit, considerou "perigosa" uma possível mudança da embaixada, que, afirma, traria uma ameaça à estabilidade regional. "Esta decisão colocaria fim ao papel dos EUA como mediador de confiança entre palestinos e as forças [israelenses] de ocupação", disse.

Sem citar Trump, Federica Mogherini, chefe da diplomacia da União Europeia, pediu que seja evitada qualquer ação que dificulte uma solução de dois Estados e disse que Jerusalém deve ser a capital de Israel e da Palestina.

As negociações de paz, entretanto, já estão congeladas.

Em 1995 uma lei aprovada sob o governo do democrata Bill Clinton estabelecia que a Embaixada dos EUA em Israel deveria ser transferida de Tel Aviv para Jerusalém. Mas a mesma lei, para evitar mergulhar a região novamente em instabilidade, permitia ao presidente, a cada seis meses, emitir uma ordem adiando a mudança por mais um semestre alegando questões de segurança.

Desde Clinton, todos os presidentes dos EUA sempre emitiram a ordem impedindo a mudança, incluindo Trump em junho. O prazo para ele dar a ordem adiando a transferência por mais seis meses expirou no dia 4.

Dias antes, o vice, Mike Pence, afirmara que Trump já estudava a forma de por a mudança em prática, sem contudo deixar claro quando ela ocorreria.

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