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Deputado americano acusado de assédio anuncia sua aposentadoria

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O deputado democrata americano John Conyers Jr. anunciou nesta terça-feira (5) sua aposentadoria da Câmara depois de diversas denúncias de assédio contra ele feitas por antigas assessores.

Ele fez o anúncio durante um programa de rádio em Detroit, sua base eleitoral, no qual disse que vai apoiar o filho, John Conyers 3º, para substituí-lo. Além dele, o senador estadual Ian Conyers, sobrinho-neto do deputado, também disse que pretende concorrer ao cargo.

Não está claro se a aposentadoria significa que ele vai renunciar imediatamente ou se vai esperar até as eleições do ano que vem para deixar o cargo.

Eleito inicialmente em 1964 para a Câmara por Michigan, Conyers, 88, é o mais antigo membro da Casa e o congressista negro que mais tempo permaneceu no cargo.

"Eu estou no processo de fazer meus planos de aposentadoria. Eu me aposento hoje [quarta]", disse de um hospital de Detroit, onde foi internado na quarta-feira (29).

"Meu legado não pode ser comprometido ou diminuído de nenhuma forma pelo que está acontecendo", disse ele em referência às denúncias de assédio, que ele nega. "Isto também vai passar. Meu legado vai continuar através dos meus filhos".

Conyers se reelegeu com facilidade em 2016 para um novo mandato no seu distrito, que tem maioria democrata, mas vem enfrentando uma série de pedidos de colegas nas últimas semanas para deixar o cargo depois das denúncias de assédio.

Entre os que pediram sua renúncia estão a líder do Partido Democrata na Câmara, Nancy Pelosi, e o presidente da Casa, o republicano Paul Ryan.

O advogado de Conyers, Arnold Reed, disse que a saúde é a principal razão para o deputado deixar o cargo. O deputado já tinha anunciado sua saída do comitê judiciário da Casa, onde era o principal representante dos democratas.

O comitê de ética da Casa também já tinha começado a investigar as acusações contra o democrata.

DENÚNCIAS

Na segunda (4), mais uma mulher que apresentou uma denúncia contra o deputado. Elisa Grubbs, que disse foi assessora de Conyers entre 2001 e 2013, disse que ele passou a mão por baixo de sua saia e apalpou sua coxa quando ela estava sentada ao seu lado dele durante um evento em uma igreja.

"O deputado Conyers colocou a mão embaixo da minha saia e apertou minha coxa enquanto eu estava sentada a seu lado na primeira fileira de uma igreja" disse Grubbs no comunicado em que relata o caso. "Fiquei assustada, me levantei e gritei 'Ele passou a mão na minha coxa!'. Outros assessores presenciaram a cena".

Ela disse que também viu o deputado apalpar pernas e nádegas de outras assessoras, incluindo Marion Brown, que denunciou Conyers publicamente na semana passada -Brown e Grubbs são primas.

Segundo ela, o assédio "era uma parte constante da vida de quem trabalha no escritório do deputado Conyers".

O comunicado foi divulgado por Lisa Boom, advogada de Grubbs e que até pouco tempo integrava a equipe de defesa do produtor de cinema Harvey Weinstein.

Quando ele foi denunciada por uma série de mulheres de assédio e estupro, a advogada deixou a equipe do produtor e passou a atender vítimas de crimes sexuais.

Por isso, Reed advogado de Conyers, disse que as novas acusações "são mais uma tolice da advogada de Harvey Weinstein".

Deanna Maher, que comandou o escritório de Conyers em Michigan entre 1997 e 2005, também acusou o deputado de ter uma conduta sexual imprópria. Uma outra assessora não-identificada chegou a apresentar uma denúncia a um tribunal em fevereiro de 2017, mas desistiu do caso depois que o juiz negou segredo de justiça.

As acusações contra contra Weinstein deram início a uma série de denúncias contra celebridades, artistas, jornalistas e políticos americanos por assédio, abuso e estupro.

Além de Conyers, o senador democrata Al Franken também é acusado de assédio, assim como Roy Moore, candidato republicano ao senado por Alabama.

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